Após aumento em emendas, Guedes faz apelo para que acordos políticos 'caibam nos orçamentos públicos'

Fernanda Trisotto
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BRASÍLIA - Na primeira manifestação pública desde que o Congresso aprovou um Orçamento considerado inviável por especialistas, o ministro da Economia, Paulo Guedes, fez um apelo nesta terça-feira para que acordos políticos caibam nas regras fiscais do país.

— Esse é o meu pedido de entendimento a todos nós: para que os entendimentos políticos caibam nos orçamentos públicos, para que a gente cumpra o duplo compromisso, com a saúde dos brasileiros e responsabilidade orçamentária — disse Guedes, durante divulgação dos dados sobre mercado de trabalho.

O Orçamento para 2021 foi aprovado na semana passada. O texto incluiu uma manobra fiscal que inflou emendas parlamentares com base em uma estimativa de que gastos obrigatórios, como Previdência, serão menores do que o projetado pelo governo.

Diante do impasse, a equipe econômica tem alertado para o risco de que o governo seja obrigado a fazer um bloqueio bilionário em despesas com custeio e investimento para corrigir o problema. Isso poderia causar a paralisação da máquina pública.

Segundo Guedes, o apelo da equipe econômica leva em consideração a necessidade de mais gastos para combater a pandemia de Covid-19.

— Não quer dizer que tem que ficar estritamente dentro do teto o que for relacionado ao Covid, mas que tem que ser com valor definido, propósito específico e extraordinariamente, não são gastos recorrentes — disse o ministro.

Como mostrou o GLOBO, auxiliares de Guedes apostam em uma solução política para destravar o impasse. A negociação depende de conversas entre o presidente Jair Bolsonaro e os presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG).