Após aumento de preços, 59% dos idosos já deixaram de comprar medicamentos por falta de dinheiro

Extra
·3 minuto de leitura

O aumento nos preços dos medicamentos e a perda de renda das famílias, com aumento do desemprego e recrudescimento da pandemia, têm levado brasileiros a deixar de comprar itens essenciais, como os remédios. Uma pesquisa da Federação Brasileira das Redes Associativistas e Independentes de Farmácias (Febrafar) mostra que, entre os idosos, 59% já deixaram de comprar medicamentos por falta de dinheiro.

Ainda como impacto dos preços, o levantamento realizado com 2.200 consumidores aponta que medicamentos genéricos, por serem geralmente mais baratos, foram os produtos mais adquiridos pelos consumidores, com 66%, seguido por medicamentos de marcas (42%) e não medicamentos (27%), ou seja quando os consumidores adquirem outros tipos de produto após a ida à farmácia.

No último dia 31 de março, o governo autorizou a aplicação de um reajuste de até 10,08% nos preços dos remédios. É o maior reajuste desde 2016, e representa o dobro do praticado no ano passado.

Para Vivian Almeida, economista e professora do Ibmec RJ, o maior custo para pacientes de medicação regular pode, até mesmo, inviabilizar o tratamento, como tem acontecido com muitos idosos e aposentados:

— As pessoas que não têm acesso à saúde vão postergando os medicamentos e as idas ao médico. Quando chegam ao hospital, o tratamento já é muito mais complexo e caro.

Fique por dentro:

O estudo da Febrafar revela ainda que entre os idosos a maioria (67%) costuma pagar os medicamentos que compram, prioritariamente. Já 29% retiram no SUS, posto de saúde ou Farmácia Popular e só para 4% os medicamentos são pagos por parentes.

Além disso, mesmo com a necessidade de isolamento social, 91% desses consumidores afirmaram que realizam compras de forma presencial. Já compras por WhatsApp ou outros aplicativos são utilizadas por 16% dos participantes, 14% usam telefones e apenas 4% sites.

Os idosos mencionaram ainda que o principal fator que determina a escolha da farmácia em que realizam suas compras é o preço, sendo que 91% dos entrevistados apontaram esse item. Na sequência, os demais fatores foram localização, para 64%, e estacionamento, para 63%, dos entrevistados, sendo que o entrevistado poderia optar por mais de uma opção. Participaram da pesquisa 2.200 consumidores com 50 anos ou mais e 300 cuidadores de idosos em todo o país.

Confira dicas para economizar

Rede pública

Tente buscar medicamentos na própria rede pública.

Unidades básicas

Um dos caminhos é procurar as Unidades Básicas de Saúde (UBS) do município. Para isso, é preciso ter uma receita emitida pelo SUS.

Farmácia popular

Verifique os preços nas redes conveniadas ao programa Farmácia Popular.

Laboratórios

Procure os programas de descontos dos laboratórios, que ofereceram descontos de até 90%. É preciso fazer cadastro no site do laboratório, informando nome completo, CPF e outros dados pessoais.

Genéricos

Pergunte ao farmacêutico se há opção de genérico para o medicamento que você necessita. Eles são seguros, possuem autorização da Anvisa e em geral custam mais barato

Quantidade

Peça ao farmacêutico a quantidade exata de comprimidos e dosagem que você vai precisar.

Comparação

Pesquise os preços em várias farmácias. Algumas oferecem programas de descontos.