Após Bolsonaro admitir interferência, Lira diz que 'ninguém influi' na presidência da Câmara

Bruno Góes
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Foto: Agência O Globo

BRASÍLIA — Candidato à presidência da Câmara apoiado por Jair Bolsonaro, Arthur Lira (PP-AL) disse nesta quinta-feira que "ninguém" terá influência no seu trabalho, caso venha a suceder Rodrigo Maia (DEM-RJ). Na reta final de campanha para a eleição, que ocorrerá na segunda-feira, o deputado do PP teve agenda de reuniões com parlamentares em Brasília.

Na quarta-feira, Bolsonaro afirmou que tem a intenção de "influir" no comando da Casa por meio de deputados do PSL. Perguntado sobre a frase do presidente, Lira disse que não iria "procurar briga".

— Eu não ouvi ninguém dizer que vai influir na presidência da Câmara. Ninguém influi na presidência da Câmara. É diferente do que ele (Bolsonaro) pode ter dito. Eu sou um candidato. Se tiver a oportunidade de ser eleito, serei independente, altivo, autônomo e harmônico. Não vou procurar briga, nem insuflar nenhum tipo de discussão que sejam as propostas desse tipo de eleição. Nada, nem ninguém, vai tirar mais uma palavra minha nesse tipo de situação - afirmou Lira.

Na quarta-feira, após encontro com aliados, o presidente da República declarou:

— Viemos fazer uma reunião com 30 parlamentares do PSL e vamos, se Deus quiser, participar, influir na presidência da Câmara com esses parlamentares, de modo que possamos ter um relacionamento pacífico e produtivo para o nosso Brasil.

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Apesar de haver oferta de emendas e cargos, além de retaliações do governo, Lira disse não ver interferência do Planalto na disputa.

— Não estou vendo nenhum deputado assumir publicamente que está havendo interferência.

Em relação às críticas do seu principal adversário, Baleia Rossi (MDB-SP), sobre a pressão do Executivo, Lira afirmou que não entraria discussões.

— O momento não é o de baixar o nível de campanha. Eu digo isso desde segunda-feira. As propostas dos dois candidatos já são conhecidas. Cada um sabe o que fala e o que os deputados esperam. Os perfis estão traçados. Ninguém muda o voto de ninguém uma hora dessa. Acho que cada um tem que terminar com a altivez necessária para que saiba que nós, no dia 2, vamos precisar estar juntos para votar as pautas que o Brasil precisa.