Após campanha atípica, quase 400 mil eleitores vão às urnas escolher novo prefeito de Niterói

Giovanni Mourão
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Pedro Teixeira / Agência O Globo
Pedro Teixeira / Agência O Globo

NITERÓI — Os quase 400 mil eleitores de Niterói decidem hoje quem governará a cidade pelos próximos quatro anos ou quais serão os dois candidatos que se enfrentarão num eventual segundo turno, dia 29. Ficará na mão do escolhido a responsabilidade de administrar um orçamento anual de mais de R$ 3,6 bilhões. Ao longo do jogo eleitoral, a disparidade financeira entre as nove candidaturas ficou evidente nas ruas: 67% do montante gasto ficou com a campanha de Axel Grael (PDT), enquanto os outros oito postulantes dividiram os 33% restantes.

Até sexta-feira, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contabilizava R$ 2,93 milhões em despesas contratadas pelos candidatos. A campanha de Grael gastou R$ 1,96 milhão deste total. Felipe Peixoto (PSD) foi o segundo que investiu mais recursos: R$ 471 mil. Flavio Serafini (PSOL), Juliana Benício (Novo) e Deuler da Rocha (PSL) apresentaram despesas de R$ 162 mil, R$ 154 mil e R$ 139 mil, respectivamente. As campanhas mais baratas foram as de Tuninho Fares (DC), que usou R$ 20 mil; Renata Esteves (PMB), R$ 15 mil; Allan Lyra (PTC), R$ 7 mil; e Sérgio Perdigão (PSTU), R$ 4 mil.

Exposição é decisiva

Para Márcio Malta, cientista político do Inest/UFF, o poder econômico de uma campanha a prefeito é decisivo, uma vez que a visibilidade constante do candidato, por meio de seus cabos eleitorais pagos, deixa-o mais próximo da população.

— Na eleição municipal, o contato entre candidato e eleitor é maior. O excesso de exposição muitas vezes pode até desagradar ao eleitor, que percebe que há muito dinheiro de diferentes partidos ali, mas esse fenômeno não ocorreu em Niterói: a multidão de bandeiras do Grael nas ruas não gerou rejeição à sua candidatura. Ao contrário das duas últimas eleições, não tenho percebido tanta exposição do Felipe Peixoto nas ruas, por exemplo — diz o especialista.

Apesar da ainda forte presença do corpo a corpo, a campanha eleitoral ganhou muita força na internet este ano: a pandemia do novo coronavírus obrigou os candidatos a modificarem suas estratégias para angariar votos dos eleitores que ainda seguem o isolamento social.

Grael utilizou R$ 68.500 em impulsionamento de conteúdo nas redes sociais, estrutura de rede de internet e criação de páginas na web. Pelos serviços de consultoria em comunicação digital, criação de páginas e impulsionamento, Peixoto pagou R$ 53.300.

Juliana investiu R$ 42 mil em hospedagem de site, impulsionamento de conteúdo nas redes e serviços de tratamento de dados e atuação em mídias sociais. Renata Esteves teve uma despesa de R$ 15 mil com marketing de conteúdo.

Serafini usou R$ 5.600 em impulsionamento e gestão de redes, enquanto Deuler pagou R$ 5 mil; e Lyra, R$ 3.400. Já Perdigão pagou R$ 600 pela administração de páginas nas redes sociais. Fares não declarou gastos com campanha na internet.

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