Após caos no 1º turno, Equador terá apenas contagem voto a voto para presidente

SYLVIA COLOMBO
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BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - Diante das críticas ao sistema de contagem rápida, que falhou na primeira fase da disputa presidencial no Equador, o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) afirmou que o método não será usado no segundo turno, neste domingo (11). Isso significa que a apuração será feita voto a voto e que o resultado vai demorar mais para ser conhecido —ainda que o CNE tenha prometido divulgar as primeiras parciais ainda neste domingo. Com a disputa acirrada, as primeiras pesquisas de boca de urna apresentaram resultados opostos. Segundo o instituto Cedatos, o banqueiro Guillermo Lasso teve 53,24% dos votos, contra 46,76% do esquerdista Andrés Arauz. Outra pesquisa, da Clima Social, anunciou empate técnico e não informou os números —a lei eleitoral equatoriana proíbe a divulgação quando a diferença é de até 3 pontos percentuais. A TV local, no entanto, disse que teve acesso aos resultados, que mostram Arauz com 50,8% e Lasso com 49,2%. As pesquisas eleitorais não costumam ser confiáveis no país, e a situação fica mais complicada com a dificuldade de acesso a regiões afastadas de floresta e montanha com as restrições impostas pela pandemia de coronavírus. Depois da divulgação das pesquisas de boca de urna, Arauz disse que está "seguro de que ganhamos. É preciso esperar os resultados oficiais, os números que temos nos dão a vitória, mas temos de esperar". As palavras dele acenderam militantes em seu comitê de campanha, em Quito, que começaram a soltar fogos e a comemorar. Também houve festa no comitê de Lasso, em Guayaquil. No primeiro turno, o CNE decidiu interromper a contagem rápida com quase 90% das atas contabilizadas porque verificou um empate técnico entre Lasso e o líder indígena Yaku Pérez. Como consequência, os equatorianos tiveram que esperar a contagem manual. Além disso, os dois rivais pediram mais de uma recontagem das atas em várias províncias do país. Lasso reclamou do CNE, que divulgou uma projeção quando havia 20% da contagem rápida realizada, afirmando que Pérez estava mais próximo de ir ao segundo turno. Pérez, por sua vez, desde o primeiro dia convocou vigílias, em que apoiadores se manifestavam diante das sedes dos órgãos eleitorais. Segundo o esquerdista, seu adversário poderia recorrer a métodos fraudulentos para garantir a continuidade na disputa e, por ser um candidato milionário, teria recursos para subornar juízes eleitorais e fiscais. No fim, o país demorou duas semanas para conhecer os candidatos que iriam ao segundo turno das eleições —e os dois pediram votos até o último momento neste domingo. Em Quito, a capital política do país, Andrés Arauz apareceu animado e pediu que as pessoas saíssem de casa para exercer seu direito democrático: "Hoje começamos a escolher o destino do país, cada voto conta". Falando a seus apoiadores, depois de votar, disse que governará "com humildade e firmeza, para deixar a dor e o sofrimento para trás e começar uma gestão humana. Estamos tranquilos e motivados em levar o país adiante". O padrinho político de Arauz, o ex-presidente Rafael Correa (2007-2017), que vive na Bélgica, comentou o pleito nas redes sociais. "Já começaram as votações [de equatorianos] na Europa, mando minha saudação fraterna a nossos migrantes. Todos devem fazer o esforço de votar, jamais em um banqueiro [referindo-se ao opositor Guillermo Lasso], mas sim pela esperança. Andrés Arauz Presidente!". Na cidade costeira de Guayaquil, considerada a capital econômica do Equador, o candidato de centro-direita, Guillermo Lasso, entrou no centro de votação sob os gritos de "Lasso, presidente", caminhando lentamente, cercado de apoiadores e familiares. "Este é um dia de festa democrática onde todos os equatorianos nos encontramos para que, com o poder do voto, possamos escolher o futuro que viverão nossos filhos", disse, depois de votar. "Todos desejamos um Equador de oportunidades, livre, onde todas as famílias possam alcançar a prosperidade." Quarto colocado no primeiro turno, com mais de 15% dos votos, o esquerdista Xavier Hervas também votou pela manhã em Quito. E pediu que os eleitores não votassem nulo ou em branco. "Mesmo que nenhuma das propostas seja a ideal, devemos escolher aquele que esteja mais perto de nossos valores", afirmou, na saída do colégio San Gabriel, em Quito. Hervas apoiou Guillermo Lasso neste segundo turno. Por volta das 11h locais (13h em Brasília), Diana Atamaint, presidente do Conselho Nacional Eleitoral afirmou que não havia relatos de aglomerações nos centros de votação no país. "O ingresso aos recintos eleitorais se produz de forma fluida e organizada", afirmou.