Após comprar Holcim, CSN prevê ampliar produção anual de 16,3 milhões de toneladas para 27,5 milhões até 2033

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RIO - Após fazer duas aquisições em pouco mais de um mês, adquirindo a Elisabeth e a Lafarge Holcim Brasil, a CSN mantém seus planos de crescimento orgânico e estima expandir sua produção de 16,3 milhões de toneladas anuais (já contando as aquisições) para 27,5 toneladas até 2033, considerando novos projetos.

— Nosso objetivo é ser o maior grupo cimenteiro brasileiro, não em termos de capacidade, mas em quantidade comercializada. Independente desse plano que fizemos de aquisição, temos o plano de crescimento orgânico, que vai se implementar conforme a evolução da demanda nas regiões Sul, Norte, Nordeste e Centro-Oeste — Benjamin Steinbruch, dono e à frente da companhia CSN em teleconferência com analistas de mercado nesta segunda-feira.

A CSN annciou no último dia 10 de setembro a aquisição da Lafarge Holcim Brasil por US$ 1,025 bilhão. Com a aquisição, a CSN Cimentos, braço da siderúrgica de Benjamin Steinbruch, sobe ao posto de terceira maior no país. A produção total, vai saltar das atuais seis milhões de toneladas para 16,3 milhões de toneladas.

É a segunda aquisição fechada pela empresa em pouco mais de dois meses. No fim de julho, comprou a Elisabeth do Fundo Farallon por R$ 1 bilhão. As duas operações ainda dependem de aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Em maio deste ano, a CSN pediu o registro para realizar a oferta pública de ações (IPO, na sigla em inglês) da CSN Cimentos em bolsa, após a operação ter recebido a aprovação dos acionistas. Em julho, porém, o processo foi suspenso em razão da piora nas condições de precificação.

Marcelo Cunha Ribeiro, diretor executivo de Finanças e Relações com Investidores da CSN, afirmou, em entrevista ao Valor publicada também nesta segunda-feira que com a aquisição da Holcim o IPO ficou mais provável.

Na apresentação a analistas, Ribeiro destacou a trajetória da CSN no segmento de cimento, tendo alcançado 32% de participação de mercado em um prazo de dez anos.

— Nós colocamos o pé no acelerador. Fizemos nossa primeira aquisição, da Elisabeth, trazendo mais 1,3 milhão de toneladas (de capacidade de produção). E agora esse passo transformacional adicionando mais 10,3 milhões de toneladas (com a Holcim). Com vistas a continuar crescendo, já conseguimos conquistar 32% de market share em dez anos, uma marca relevante — destacou.

Ele explica que a CSN é, atualmente, a empresa mais eficiente no setor de cimento no país, por ter a maior margem, com os menores custos. A nova aquisição, frisa Ribeiro, vai trazer diversos ganhos à companhia, se aproximando, já na próximo ano, de 10% da geração total de caixa.

— O negócio vai trazer escala, quase triplicando os nossos volumes; complementariedade geográfica, vamos entrar no Centro-Oeste, fortalecer nossa presença no Nordeste e vamos ficar como líderes, com capacidade relevante e forte, no Sudeste — enumerou, citando que a LafargeHolcim agrega produtos de alta qualidade e com marcas fortes ao portfólio, como Mauá e Montes Claros. Agrega ainda novas minas, que vão alimentar as fábricas já de pé e as expansões.

Em termos de capacidade instalada, a CSN salta para a terceira posição no país, atrás de Votorantim e Intercement. Seria, contudo, a segunda em volume de produção. É o ganho de capacidade o ponto-chave da aquisição, diz Ribeiro:

— Colocando um pouco de números. É um negócio que vai fazer este ano cerca de R$ 540 milhões de Ebita. Vamos agregar valor importante e aumentar em quase 50% isso. É daí que vem a criação de valor para o acionista CSN. Tem ainda uma redução de custos importantes, principalmente no que tange suprimentos, como combustíveis e energia elétrica, além de logística. O ebitda por tonelada de cimento sai de R$ 77 para R$ 123.

Os projetos previstos para o crescimento orgânico estão mantidos. E serão implementados de acordo com as condições de mercado. Ao todo, a meta é adicionar 11,2 milhões de toneladas anuais em capacidade entre 2024 e 2033, com expansões em Paraná, Pará, Sudeste, Ceará e Sergipe.

— Esse desafio de materializar esses projetos está bastante adiantado em termos de aquisição de equipamentos. É claro que vamos fazer o crescimento de forma estruturada. Vamos atender aquilo que o Cade nos solicitar. Mas, certamente, dentro de um espírito construtivo, cooperativo e de aumento imediato de construção nas regiões onde já estamos e nas em que vamos entrar — diz Steinbruch.

Ele sublinhou que a carência em infraestrutura e o déficit de moradia no país garantem grande potencial de expansão ao setor cimenteiro, dizendo que “gostaríamos de liderar esse mercado e vamos lutar para isso”.

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