Após confessar ter jogado artefato com fezes em ato de Lula no Rio, preso volta atrás e nega acusações

O pescador André Stefano Dimitriu Alves de Brito, de 55 anos, voltou atrás e agora nega que tenha lançado uma garrafa com explosivos e fezes durante o comício do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Cinelândia, no Centro do Rio, na quinta-feira. Dimitriu foi preso em flagrante e confessou, informalmente, ainda na delegacia que teria realizado tal ato como forma de protesto pela polarização ideológica que prejudicaria o futuro do país, segundo a assessoria de imprensa da Polícia Civil.

Ao GLOBO, o advogado de Dimitriu, José Maria Valle, disse seu cliente estava no centro da cidade para ver material de pesca e ficou no comício.

— Não tem nenhuma confissão dele, tudo foi baseado nas testemunhas. Ele tem esposa, tem filho, não tem antecedente criminal. É um homem de família. Estava no centro para ver material de pesca e ficou no movimento. Colou os adesivos para fazer parte da multidão.

Na quinta-feira na delegacia e no sábado durante a audiência de custódia, André disse ter atirado a garrafa, mas sem motivação política ou intenção de machucar. No entanto, de acordo com o advogado, André apenas correu para perto dos policiais para se proteger e foi enquadrado.

De acordo com o registro de ocorrência, ele foi identificado após acionar os PMs, que estavam na esquina da Rua Araújo Porto Alegre com a Avenida Rio Branco, dizendo ser perseguido por populares e ter perdido seus documentos durante o ato. Os populares cercaram o carro afirmando que ele tinha jogado a garrafa.

Na 5ª DP (Mem de Sá), André confessou o crime, mas não quis prestar depoimento. Informalmente, ele contou não ter “inclinação política ou ideológica” e que teria realizado o ato como uma forma de protesto a uma alegada polarização que prejudicaria o futuro do Brasil.

No sábado, a juíza Ariadne Villela Lopes, da 16ª Vara Criminal, converteu em preventiva a prisão em flagrante. De acordo com a decisão da magistrada, “as circunstâncias em que supostamente foi praticada a conduta imputada ao custodiado mostram-se graves o suficiente para a referida conversão”.

Ele está preso no presídio José Frederico Marques, em Benfica.

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