Após corridas de cavalos, Jockey Club é fechado pela Prefeitura do Rio

Rafael Nascimento de Souza

Após diversas corridas de cavalos que aconteceram no último domingo no Jockey Club, na Gávea, Zona Sul, a Prefeitura do Rio decidiu lacrar, na noite desta segunda-feira, a sede do hipódromo. A interdição imediata acontece porque, segundo o município, a realização de atividades no espaço não é considerada essencial durante o período de quarentena. Enquanto isso, a direção do Jockey se vale de uma autorização do governo estadual, dada pela Secretaria estadual de Agricultura, Pecuária, Pesca e Abastecimento (Seappa) apenas para recebimento, acomodação e trânsito de dos animais nos eventos realizados, para a volta dos páreos em maio.

No domingo, todas as corridas aconteceram sem público. Muitos jóqueis na pista, mas ninguém nas arquibancadas. No mesmo dia, o prefeito Marcelo Crivella anunciou que se a direção do hipódromo não respeitasse o decreto municipal, ele entraria na Justiça para barrar todas as corridas e fechar o lugar.

Nesta segunda, estavam programadas nove corridas. No entanto, a prefeitura foi mais rápida e interditou o espaço. Uma ordem de interrupção das atividades foi posta na entrada principal do Jockey Club.

Segundo a Prefeitura do Rio, os páreos poderiam causar aglomerações nas casas de apostas da cidade e consequentemente fazer com que muitos apostadores fossem infectados pela Covid-19. Por outro lado, o Jockey Club afirma que as apostas estavam sendo feitas exclusivamente pela internet ou por telefone, e que durante as disputas no estabelecimento todos os protocolos de segurança - como medida de temperatura a distância, uso de máscaras de proteção e álcool em gel em todos os setores - estavam sendo cumpridos.

Caso o Jockey Club descumpra a medida, o espaço poderá pagar uma multa diária no valor de R$ 891,59 e até mesmo ter o alvará cassado.

O Governo do Estado garante que não deu permissão para que o hipódromo voltasse com as disputas. Segundo a Seappa, cabe a ela “autorizar apenas o recebimento, acomodação e trânsito de dos animais nos eventos realizados pelo Jockey, visando ao bem estar deles. Portanto, após ser questionada pelo Jockey em relação à questão específica, a Superintendência de Defesa Animal não vê nenhum impedimento em relação específica à sua atribuição: sanidade animal, levando em conta que a circulação de animais não põe em risco o perigo de contágio pelo coronavírus”.

De acordo com a Secretaria, cabe ao Jockey a “responsabilidade pelo cumprimento integral das legislações vigentes, em especial quanto à obtenção das autorizações necessárias de todas as instâncias administrativas, operacionais e de saúde pública definidas quanto ao cumprimento dos requisitos estabelecidos como essenciais ao combate do Covid-19”.

A direção do Jockey Club ainda não respondeu aos questionamentos do EXTRA. 

No entanto, ao “Bom dia Rio”, da TV Globo, a direção do espaço afirmou que está em contato com o município e o estado para a retomada dos pareôs e que o Jockey respeita o decreto do governador. Ainda segundo o hipódromo, o objetivo das corridas é para evitar que os cavalos adoeçam.