Após críticas de Bolsonaro a governadores, Moro diz que mortos por coronavírus crescem 'de forma expressiva'

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O ex-ministro Sergio Moro disse nesta quinta-feira (30) que o número óbitos por coronavírus "cresce de forma expressiva" no Brasil e pediu para as pessoas tomarem cuidado ao saírem de casa.

"Número de mortos vítimas do coronavírus no Brasil cresce de forma expressiva, infelizmente. Passamos de cinco mil mortos. Há uma incerteza em relação à evolução da pandemia. Cuide-se! Se não puder ficar em casa, tome cautelas ao sair", escreveu o ex-ministro da Justiça em sua rede social.

A manifestação ocorreu após novas críticas do presidente Jair Bolsonaro a governadores e prefeitos que adotaram medidas de distanciamento social. Moro deixou o cargo na semana passada após acusar o presidente de tentar interferir na direção da Polícia Federal. Antes de sair do governo, ele já vinha defendendo o isolamento como medida de combate à contaminação do vírus.

Segundo dados do Ministério da Saúde, o Brasil contabilizou 5.466 mortes até quarta-feira (29).

Bolsonaro afirmou nesta quinta que essas autoridades não conseguiram achatar a curva de transmissão do novo coronavírus.

"O Supremo [Tribunal Federal] decidiu que as medidas para evitar -ou para fazer a curva ser achatada- caberiam a governadores e prefeitos. Não achataram a curva. Governadores e prefeitos que tomaram medidas bastante rígidas não achataram a curva", disse o presidente, na saída do Palácio da Alvorada, em Brasília.

Bolsonaro deu as declarações pouco antes de embarcar para Porto Alegre (RS).

Diante das 449 mortes registradas no país nas últimas 24 horas, o mandatário voltou a colocar em dúvida, sem apresentar provas, o número de óbitos notificado diariamente pelos estados. Ele criticou ainda o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), a quem chamou de "gravatinha".

"A curva [de transmissão] tá aí. Partindo do princípio que o número de óbitos é verdadeiro. Cada vez mais chega informação, que no próprio Diário Oficial do Estado de São Paulo está escrito que, na dúvida, bota coronavírus. Para inflar o número e fazer uso político", disse.