Após críticas internas e CPI da Covid, Bolsonaro mudará comando da comunicação do governo

GUSTAVO URIBE
*ARQUIVO* BRASÍLIA, DF, 07.05.2019: O presidente Jair Bolsonaro. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
*ARQUIVO* BRASÍLIA, DF, 07.05.2019: O presidente Jair Bolsonaro. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Sob pressão do núcleo ideológico, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) trocará o comando da Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social) da Presidência da República.

O almirante Flávio Rocha, que está à frente da estrutura de comunicação há pouco mais de um mês, teve uma conversa na segunda-feira (12) com o presidente e ficou definido que, a partir da semana que vem, não acumulará mais a função.

O militar seguirá à frente da SAE (Secretaria de Assuntos Estratégicos) e, para o seu lugar na Secom, Bolsonaro pretende escolher um nome com experiência na área de comunicação.

O presidente discutirá o tema nesta quinta-feira (15) com o ministro das Comunicações, Fábio Faria.

Nas últimas semanas, assessores palacianos ligados ao núcleo ideológico vinham criticando o fato de o almirante acumular as duas funções.

A defesa era para que o militar abrisse mão da SAE e que a estrutura fosse entregue a um civil, já que o núcleo ideológico perdeu o comando da Secom com a saída do empresário Fabio Wajngarten.

Além disso, havia a cobrança para que a Secretaria de Comunicação fosse assumida por um profissional com experiência na área diante da ameaça de uma nova crise política.

Nesta terça-feira (13), o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), autorizou a criação da CPI da Covid, cujo objetivo principal é investigar a condução da gestão federal no combate à pandemia do coronavírus.

O principal receio do presidente é de que a comissão parlamentar aumente ainda mais a sua rejeição e colete evidências que permitam a abertura de um processo criminal.

Apesar da pressão do núcleo ideológico, o presidente está disposto a entregar a Secom para outro militar, como foi noticiado pelo Painel.

O principal cotado é o coronel da Polícia Militar do Distrito Federal André Costa, amigo do ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência Jorge Oliveira.

O militar já trabalhou com o senador Flavio Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do presidente, e já foi secretário de comunicação da Secretaria-Geral, ou seja, tem experiência em assessoria de imprensa.

Já o núcleo ideológico defende o nome do jornalista Alexandre Garcia para a função.

Em processos anteriores, Garcia recusou assumir o posto, mas assessores do presidente afirmam que, nas últimas semanas, ele deu sinais de que aceitaria o cargo.​

A intenção do presidente é que o novo nome seja anunciado até a sexta-feira (16).

Outra mudança no Palácio do Planalto será a adaptação de uma sala no segundo andar para acomodar o novo ministro-chefe da AGU (Advocacia-Geral da União), André Mendonça.

O ministro é um dos cotados para uma vaga neste ano ao STF (Supremo Tribunal Federal) com a aposentadoria do ministro Marco Aurélio Mello.