Após críticas, SP-Arte vai devolver todo o valor investido por galeristas em feira cancelada por coronavírus

Abertura da SP-Arte em 2018

SÃO PAULO – Após afirmar que reteria parte dos depósitos e receber críticas de galeristas, a SP-Arte, principal feira de artes do Brasil, anunciou, na manhã desta quarta-feira (13), que vai devolver todo o valor investido pelos expositores na edição deste ano.

“Com essa decisão, a Feira arca com a totalidade dos prejuízos decorrentes do cancelamento tão próximo do evento – além das suas próprias perdas, e assume também o prejuízo integral dos expositores nacionais, devolvendo a eles 100% dos pagamentos efetuados à SP-Arte”, informou o comunicado enviado à imprensa.

A SP-Arte aconteceria entre 1º e 5 de abril e foi cancelada por conta da pandemia de Covid-19. A feira sublinhou que optou por devolver a totalidade os valores investidos “apesar de amparada pela legislação nacional pertinente”, que a desobriga de fazê-lo. O comunicado ressaltou ainda o “compromisso” da SP-Arte“com seus clientes e com o mercado de arte como um todo, mercado este que ajudou a transformar e do qual sempre foi uma apoiadora incondicional”.

– Desde o cancelamento do evento, nossa equipe vem trabalhando de maneira incessante em todas essas possibilidades para que possamos ajudar as galerias e o mercado de arte nacional a atravessar, juntos, este momento de incertezas – afirma Fernanda Feitosa, diretora da SP-Arte.

O cancelamento da SP-Arte 2020 foi anunciado em 9 de abril, quando a feira informou que os galeristas receberiam apenas um terço dos valores investidos. Um terço seria retido e outro terço seria convertido em crédito a ser resgatado na SP-Arte de 2021. Em um e-mail aos expositores, a direção da SP-Arte justificou a decisão detalhando alguns custos que já teriam sido pagos pela organização, como a compra das madeiras para a montagem de estandes, luminárias LED, ar condicionado e ações de mídia.

“Além disso, com o cancelamento, perdemos a totalidade das receitas provenientes da bilheteria e grande parte dos patrocínios. (...) entendemos que o momento é igualmente desafiador para as galerias e expositores que participam da Feira.Pensando nisso, tomamos a decisão de absorver grande parte dos prejuízos que um cancelamento a tão pouco tempo do evento nos impõe”, afirmava um trecho do comunicado, duramente criticado pelos expositores.

– Há uma indignação, porque deveria haver algum tipo de seguro prevendo uma situação de cancelamento. Nós arcamos com vários seguros para transportar obras para feira, não podemos absorver todo este custo – comentou um galerista carioca que preferiu não se identificar. – Quem faz as feiras essencialmente são os expositores, representando seus artistas. É difícil manter uma parte do que foi investido pensando no ano que vem, quando estamos com as galerias fechadas, e muitos nem sabem como irão atravessar este ano.

A edição de 2021 da SP-Arte está confirmada para acontecer entre os dias 14 e 18 de abril, no Pavilhão Ciccillo Matarazzo, no Parque Ibirapuera. Entre junho e agosto deste ano, a SP-Arte deve organizar uma feira on-line. Detalhes sobre “como se dará a participação das galerias” e a “interação com o público” serão divulgados em breve.