Após criticar política de preços da Petrobras, Bolsonaro troca comando da pasta de Minas e Energia

Depois de chamar de "crime" a política de preços da Petrobras, o presidente Jair Bolsonaro trocou, nesta quarta-feira, o comando do Ministério de Minas e Energia. No lugar do almirante Bento Albuquerque, assume Adolfo Sachsida, até então secretário de Paulo Guedes no Ministério da Economia. A preocupação com o impacto do preço dos combustíveis na popularidade do presidente, que tentará a reeleição em outubro, motivou esta mudança, segundo integrantes do governo.

Segundo a edição de hoje do Diário Oficial da União (DOU), Bento foi exonerado a pedido do próprio. Entretanto, o ministro, que ano passado enfrentou o desafio de encarar a crise hídrica evitando o apagão energético no país, estava enfrentando críticas quase que diárias de Bolsonaro pela alta no preço dos combustíveis.

A questão da alta dos combustíveis é considerada crucial no governo. Além de ser um dos principais motivos para a disparada da inflação, que está no maior patamar desde 1996, os preços da gasolina, do diesel e do gás afetam diretamente a popularidade de Bolsonaro, que tenta a reeleição.

No governo o tema é considerado prioridade no núcleo político, que tenta formas de reduzir estas altas ou criar mecanismos para compensar os preços elevados, como alívio para os caminhoneiros.

Na live do último dia 5, Bolsonaro criticou o lucro da Petrobras, chamando-o de absurdo e abusivo. "O lucro de vocês é um estupro, é um absurdo", declarou o presidente.

A saída de Bento ocorre dois dias depois de a Petrobras anunciar um reajuste no preço do diesel nas refinarias em 8,87%. Este ano, o combustível já acumula alta de 47%. O preço da gasolina nas bombas também está em patamar recorde.

A Petrobras registrou lucro de R$ 44,561 bilhões no primeiro trimestre deste ano, uma alta de mais de 3.700% em relação ao mesmo período do ano passado, quando a empresa ainda sofria os impactos da pandemia. A disparada do preço do petróleo por causa da guerra na Ucrânia tem feito petrolíferas do mundo inteiro a registrarem lucros recordes.

O Ministério das Minas e Energia também tem desafios também no setor de energia elétrica. Se Bento Albuquerque conseguiu evitar o apagáo na crise hídrica do ano passado, hoje tem de enfrentar uma disparada nos custos do setor.

uitas distribuidoras estão tendo reajustes na ordem de 20%, o que gera preocupação com impactos eleitorais. No Congresso, já há um movimento para tentar adiar estes reajustes, o que teria forte impacto econömico em 2023 e na imagem do país, que pode ser visto como uma economia que não respeita contratos.

O novo ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, está no governo de Jair Bolsonaro desde o início e é servidor de carreira do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Apesar de ser considerado um nome do mercado e de confiança de Guedes, Sachsida também é "Bolsonarista raiz". No 7 de Setembro do ano passado, por exemplo, esteve na Esplanada do Ministério para protestar contra o Supremo Tribunal Federal. Ele costuma usar suas redes sociais para divulgar seu apoio ao presidente.

Nos últimos anos, Sachsida mantinha o discurso de consolidação fiscal dentro do Ministério da Economia e defendia reformas pró-mercado com foco em aumento de produtividade.

Foi secretário de Política Econômica da pasta e, em fevereiro, assumiu a chefia da Assessoria Especial de Assuntos Estratégicos.

Doutor em economia pela Universidade de Brasília (UnB), ele tem pós-doutorado pela Universidade do Alabama, nos Estados Unidos, e também lecionou na Universidade do Texas. O novo ministro é advogado, com estudos na área de direito tributário.

Sachsida evitava tecer muitos comentários sobre assuntos que não eram ligados diretamente à sua área de atuação. Em evento da Frente Parlamentar de Empreendedorismo (FPE), na terça-feira, véspera de sua nomeação, não respondeu aos jornalistas sobre a alta mais recente do preço do diesel.

Mas, em 4 de março, quando participou de entrevista coletiva sobre o resultado do PIB, Sachsida foi questionado sobre a expansão do vale-gás e disse que algumas medidas podem ter boas intenções, mas gerar resultado negativo.

— Algumas vezes as medidas têm boas intenções, mas terminam com resultado negativo. Temos de tomar muito cuidado para que as medidas tomadas não agravarem a situação. Por isso a economia se posiciona contra determinadas medidas, pois apesar da intenção ser boa, o resultado pode ser ruim. Temos de trabalhar para que o resultado também seja bom — disse ele na ocasião.



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