Após Crivella falar em corrupção, Paes rebate e diz que prefeito acolhe 'delinquentes' em seu entorno

Felipe Grinberg e João Paulo Saconi
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RIO - Eduardo Paes, candidato do DEM à prefeitura do Rio de Janeiro, rebateu nesta segunda-feira o prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) e afirmou que o adversário mantém "delinquentes" por perto. O adjetivo foi utilizado em referência ao coordenador da campanha de Crivella e ex-secretário de Paes, Rodrigo Bethlem, e ao empresário Rafael Alves, apontado pelo Ministério Público (MP) do Rio como operador de um "QG da Propina" dentro da atual administração. A declaração de Paes foi concedida à imprensa após Crivella afirmar que a gestão do ex-prefeito foi "a mais corrupta da História". Os dois concorrem pela preferência dos cariocas no segundo turno, iniciado hoje com essa troca de ataques.

— Eu espero discutir a cidade, mas tem uma diferença básica entre eu e Crivella. Toda vez que alguém que esteja próximo a mim é descoberta com algum tipo de desvio o que eu faço? Afasto. O coordenador de campanha do Crivella, o ex-deputado Rodrigo Bethlem, quando confessou que era um delinquente que estava cometendo desvios na prefeitura, eu botei ele para longe de mim. O que ele virou do Crivella? O coordenador e porta-voz da campanha. Ele traz um sujeito confesso e criminoso pra perto dele. Eu botei pra longe — afirmou Paes, que nomeou Bethlem para a Assistência Social durante sua gestão.

Bethlem já foi acusado de desviar recursos públicos do município por meio de ONGs durante a administração de Paes e foi alvo de uma fase da Operação Lava-Jato que investigou desvios no setor de transportes públicos.

Após mencioná-lo, o ex-prefeito se referiu a Rafael Alves e disse que Crivella teria "medo" de falar sobre o empresário. Para a Justiça, o prefeito tem uma posição de "subserviência assustadora" em relação a Alves, cuja voz ativa dentro da gestão municipal chamou a atenção dos promotores. Sem cargo na atual administração, Alves exercia, de acordo com o MP, um poder de mando em diversas áreas e operava um balcão de negócios para a liberação de verbas a empresas mediante pagamento de propina.

— Pergunta pra ele (Crivella) sobre esse Rafael Alves do QG da Propina se fala algo desse delinquente? Não fala nada. Deve manter perto porque tem medo. Eu faço questão de afastar com contundência para mostrar que comigo é diferente, Pode ter falhas como em qualquer governo, mas o importante é demostrar que se cometeu erro, quero manter distancia. O maior exemplo é esse Rodrigo Bethlem, botei pra correr de perto de mim e virou coordenador da campanha do Crivella, um sujeito que dava mesada com o dinheiro da Assistência Social. Gravado pela ex-mulher dizendo que tinha conta na Suíça com desvios da prefeitura. É esse tipo de gente que anda do lado dele. Do meu lado não tem gente assim — afirmou Paes.

Procurado, Rodrigo Bethlem rebateu Paes e lembrou episódios recentes protagonizados pelo ex-prefeito, como a denúncia contra ele por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e caixa dois referente a supostas irregularidades na campanha eleitoral de 2012. O ex-secretário também mencionou o bloquei de bens determinado pelo Tribunal de Justiça (TJ) do Rio em outubro, referente a possíveis irregularidades no pagamento de um subsídio para empresas de ônibus.

Bethlem afirmou ainda que Paes tentou se reconciliar com ele mais recentemente, após ter pedido desculpas há cinco anos por tê-lo afastado da prefeitura.

— Quem é réu por corrupção é ele, não eu. Quem está com R$240 milhões para tirar dinheiro da merenda para dar para empresa não sou eu. Os valores dele sobre delinquência estão deturpados e ele precisa voltar pra faculdade de direito pra entender melhor. O Paes me afastou, mas em 2015 me mandou um pedido de desculpas e mais recentemente pediu para algumas pessoas virem falar comigo porque queria se reconciliar comigo antes da campanha.

O GLOBO procurou a campanha do prefeito Marcelo Crivella, que reiterou a declaração dada por Bethlem. O empresário Rafael Alves, procurado por meio de sua defesa, ainda não se manifestou.