Após dar posse a novo ministro da Saúde, Bolsonaro fará pronunciamento na TV

Jussara Soares
·3 minuto de leitura

BRASÍLIA - Após dar posse ao novo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, o presidente Jair Bolsonaro gravou na tarde desta terça-feira um pronunciamento à nação que será exibido nesta noite em cadeia nacional de emissoras de rádio e televisão. No discurso, Bolsonaro defenderá a vacina e, segundo pessoas com acesso ao texto, não deverá fazer a defesa do tratamento precoce, que, embora não comprovado cientificamente, é defendido por ele.

Leia: Marco Aurélio nega liminar a Bolsonaro e mantém isolamento decretado por governadoresNa fala, o presidente se concentrará em fazer balanço das aquisições de imunizantes pelo governo federal e outras ações do Ministério da Saúde para o enfrentamento à pandemia da Covid-19. Bolsonaro também ressaltará que o Brasil é produtor de vacina e que, a partir de abril, começará a fabricar os insumos para o desenvolvimento dos imunizantes. Bolsonaro tem sido orientado por integrantes do Congresso e por integrantes do governo a deixar a defesa de medicamentos fora de seus discursos e focar apenas na imunização em massa. Aliados e auxiliares também passaram a defender que o presidente use a máscara em público, apesar disso ele não deverá fazer nenhuma menção ao item de proteção. O chefe do Executivo, no entanto, segue crítico das medidas restritivas de circulação de pessoas adotadas por governadores para conter a contaminação. Nesta terça, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Mello, negou o pedido de Bolsonaro para derrubar os decretos dos estados.

Vacinação: Lira e Pacheco levarão proposta de empresários a BolsonaroO pronunciamento estava marcado para o início do mês, mas foi cancelado em cima da hora mesmo após a convocação dar formação de cadeia de rádio e TV. Na ocasião, o agravamento da crise sanitária e com a ameaça de colapso no sistema de saúde em vários estados fizeram o governo recuar. Naquele dia, 2 de março, e o Brasil somava 257.562 óbitos.

A avaliação era que era preciso mudar a postura para diminuir o desgaste antes de se dirigir à população. Desde então, o Planalto mudou a estratégia e colocou em prática a “operação vacina”, reforçando que a imunização sempre foi uma bandeira no governo, apesar das críticas do presidente que por diversas vezes questionou a eficácia dos imunizantes.

A primeira sinalização da virada na comunicação do governo ocorreu no dia 10 de março quando Bolsonaro surgiu de máscara em cerimônia no Palácio do Planalto para sancionar projetos que facilitam e aceleram a compra de imunizantes. Naquele dia, o país superou pela primeira vez a marca de 2 mil mortos em 24 horas e registrou 2.349 vidas perdidas, totalizando à época 270.917.

No dia 15 de março, Bolsonaro anunciou a substituição de Eduardo Pazuello do Ministério da Saúde pelo médico Marcelo Queiroga. Naquela segunda-feira, dia da semana em que o número de mortes costuma ser menor, foram registadas 1.275 mortes em 24 horas, 279.602 óbitos. Queiroga tomou posse nesta terça-feira em uma cerimônia reservada no Palácio do Planalto. Na noite anterior, o balanço do consórcio de veículos de imprensa contabilizou 1.570 mortes pela Covid-19 em 24 horas, totalizando 295.685 óbitos. Entre o anúncio e a efetivação do novo ministro da Saúde, 16.083 brasileiros perderam a vida por causa da Covid-19.