Após decisão judicial, corpo de miliciano Adriano da Nóbrega é levado para IML do Rio

Rafael Nascimento de Souza

RIO — O corpo do milicianoAdriano Magalhães da Nóbrega, de 43 anos, foi levado na manhã desta sexta-feira para o Instituto Médico Legal (IML) no Centro do Rio de Janeiro. Segundo apurou o GLOBO, a direção do local determinou que ele não poderá ser periciado sem autorização prévia. O corpo de Adriano chegou ao local pouco depois das 10h em um carro da Defesa Civil.

Após a decisão da Justiça, um carro de remoção de cadáveres foi até um laboratório de embalsamamento que fica em Vilar dos Teles, em São João de Meriti, e recolheu o corpo.

O corpo de Adriano, morto durante uma operação policial na Bahia no último domingo, chegou ao Rio na noite da última terça-feira. O cadáver foi trazido para a cidade em um voo comercial que pousou no Aeroporto Internacional do Galeão. A funerária contratada pela mãe e irmãs de Adriano foi a responsável pelo traslado. A cremação estava prevista para ocorrer na manhã de quarta-feira, no Memorial do Carmo, no Caju, mas foi impedida pela Justiça.

Justiça impediu cremação

Duas decisões judiciais impediram a cremação do corpo de Adriano. Na primeira, na madrugada de quarta-feira, a juíza Maria Izabel Pena Pieranti, do Plantão Judiciário, afirmou que o pleito da família não atendia “aos requisitos da Lei 6.015/73, não estando acompanhado de imprescindíveis documentos”, como o Guia de Remoção de Cadáver e o Registro de Ocorrência. Maria Izabel destacou, também, que a morte de Adriano da Nóbrega não se deu “por causas naturais”.

Já na tarde de quarta-feira, o juiz Gustavo Gomes Kalil, da 4ª Vara Criminal do Rio, deu uma nova decisão proibindo a cremação no processo referente à Operação Intocáveis, desencadeada pelo Ministério Público estadual do Rio em janeiro do ano passado, e na qual Adriano era alvo. O pedido foi peito pelo Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (GAECO/MPRJ). “A toda evidência, em se tratando de óbito não advindo de causas naturais, mas decorrente de disparo de arma de fogo, a cremação só poderá ocorrer após a realização de todas as diligências e confecção de todos os laudos periciais necessários para elucidação de tais circunstâncias”, afirma o MP no documento enviado à Justiça.