Após declarações sobre saúde e Fies, Guedes defende vouchers para os mais frágeis

Fernanda Trisotto e Manoel Ventura
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BRASÍLIA – O ministro da Economia Paulo Guedes voltou a explicar suas recentes declarações sobre saúde e a expectativa de vida dos brasileiros e o acesso à educação superior. Alegando ter sido mal interpretado, Guedes ressaltou a importância de parcerias com o setor privado e disse que defender vouchers é uma forma de distribuir mais recursos para as áreas.

— Da mesma forma, quando eu falei de cem anos outro dia, tiraram totalmente de contexto. Eu estava justamente defendendo o voucher, defendendo mais recursos pra saúde – afirmou durante audiência pública na Câmara dos Deputados, dizendo que a discussão era para como trazer recursos do setor privado para ajudar na saúde.

No caso da educação, o ministro disse que o relato do filho do porteiro que tinha uma bolsa do Fies foi um exemplo real para retratar a dimensão do problema enfrentando para ampliar o acesso à educação.

— Você não pode dar um empréstimo pra alguém que é aprovado com média zero. Você tem que dar um voucher. Se você quer o acesso do mais frágil, que não teve um bom curso de formação básica, porque os melhores colégios também eram usados pela elite brasileira, você tem que dar um voucher – afirmou Guedes.

Ele ainda acrescentou que o FIES foi um bom plano, mas que só funciona para a classe média, que consegue pagar os empréstimos ainda que o jovem não encontre uma colocação no mercado de trabalho.

— É para o mais pobre que voccê tem que dar o voucher, ele não pode começar a vida endividado – finalizou, reclamando que suas falas são tiradas de contexto.

De acordo com Guedes, foi nesse contexto que ele falou sobre as novas tecnologias de saúde, que vão permitir que as pessoas vivam mais e que será preciso ampliar acesso a esses direitos por meio de vouchers.

— Sempre achei importante o setor privado entrar com soluções adicionais e o melhor exemplo que eu posso dar é o que aconteceu no ensino superior, quando o ministro Paulo Renato criou a possibilidade de investimentos privados em educação aquilo abriu oportunidade para milhares de brasileiros. Hoje, 76% do ensino superior é através de universidades privadas.