Após demissão, comandante da Aeronáutica diz que Força Aérea é instituição de Estado e segue preceitos constitucionais

Julia Lindner
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BRASÍLIA - Em carta de despedida, o comandante da Aeronáutica, Antonio Carlos Bermudez, afirmou nesta terça-feira que a Força Aérea é uma instituição de Estado e que a missão de seus integrantes é "balizada pelos inarredáveis preceitos constitucionais". No texto, Bermudez disse que foi exonerado por decisão do presidente Jair Bolsonaro. A informação ainda não havia sido confirmada oficialmente.

"Na manhã de hoje, tomei conhecimento da decisão do presidente da República, Jair Bolsonaro, de exonerar-me do comando da Força Aérea Brasileira. Recebi essa notícia como um bom soldado, que dedicou 46 anos de sua vida a servir seu país", escreveu no texto direcionado aos integrantes do comando da Aeronáutica.

"Ao deixar o comando da aeronáutica, meu sentimento é de gratidão aos que labutaram ao meu lado, direta e indiretamente, para que a Força Aérea, uma instituição de Estado, servisse ao povo brasileiro em todos os seus chamados", acrescentou.

No documento, Bermudez ressaltou os "tempos difíceis" da pandemia do novo coronavírus e fez agradecimentos ao efetivo da Força Aérea Brasileira que atua durante a crise sanitária, ressaltando que o objetivo é salvar vidas.

"Portanto, prezados integrantes da Força Aérea, acreditem na relevância da nossa missão que, balizada pelos inarredáveis preceitos constitucionais, coopera para a soberania daquilo que nos cabe: o espaço aéreo."

Mais cedo, o Ministério da Defesa anunciou a troca dos três comandantes das Forças Armadas. O anúncio da substituição foi costurado pelo novo chefe da pasta, ministro Walter Braga Netto, e o seu antecessor, Fernando Azevedo e Silva, na tentativa de contornar o mal-estar para o Palácio do Planalto diante de uma possível renúncia coletiva.

Na segunda-feira, os três comandantes indicaram a possibilidade de entregar os cargos após serem surpreendidos pela demissão sumária do ministro da Defesa. A troca no comando da Defesa reflete o desejo do presidente Jair Bolsonaro de maior alinhamento político das Forças Armadas. Com a repercussão, Braga Netto e Azevedo agiram para ter um desfecho menos traumático para crise.

Em vez de um pedido de demissão entendido como uma resistência a Bolsonaro, interlocutores da Defesa alegaram nos bastidores que os cargos foram pedidos pelo novo ministro. A saída simultânea durante um governo dos comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica não tem precedentes.

"O Ministério da Defesa (MD) informa que os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica serão substituídos. A decisão foi comunicada em reunião realizada nesta terça-feira (30), com presença do Ministro da Defesa nomeado, Braga Netto, do ex-ministro, Fernando Azevedo, e dos Comandantes das Forças", diz trecho da nota divulgada pelo Ministério da Defesa.