Após demissão de Teich, panelaços contra Bolsonaro voltam a ocorrer pelo país

Alice Cravo e Ricardo Rigel
·2 minuto de leitura
Panelaços contra Jair Bolsonaro e o governo federal se espalham pelo país
Panelaços contra Jair Bolsonaro e o governo federal se espalham pelo país

Panelaços contra Jair Bolsonaro voltaram a ocorrer em algumas localidades do país. O presidente faria um pronunciamento na noite deste sábado, cancelado pouco antes do horário previsto para ir ao ar. As manifestações, no entanto, ocorreram do mesmo jeito.

Os panelaços têm sido o principal meio de protesto da população contra as medidas adotadas por Bolsonaro em meio à pandemia do novo coronavírus. Os deste sábado ocorrem um dia depois da demissão do ex-ministro da Saúde Nelson Teich em um contexto de pressão do presidente para mudar o protocolo do SUS para o uso da cloroquina, medida que não encontra respaldo no meio científico. Bolsonaro também pressiona pela reabertura do comércio, apesar do isolamento social ser a medida mais eficaz para o combate à epidemia segundo especialistas. O Brasil superou a Itália e a Espanha e se tornou o quarto país do mundo com mais casos da Covid-19. Ao todo, até a última atualização deste sábado, 233.142 casos confirmados da doença e 15.633 mortes.

No Rio de Janeiro, os panelaços ocorreram nos bairros da Lapa, Tijuca, Humaitá, Leme, Flamengo, Botafogo e Copacabana, onde foram registrados gritos de "genocida", "fora, Bolsonaro", "miliciano" e "assassino". Em Niterói, Região Metropolitana do Rio, o bairro de Icaraí também se manifestou contra as medidas do presidente ao som de panelas e gritos de "Fora, Cloroquina".

Os protestos também ocorreram em Recife e Salvador, segundo registros compartilhados nas redes sociais. Em São Paulo, as batidas de panelas foram escutadas em Osasco, na Região Central, Pinheiros, Higienópolis, Jardins e Bela Vista.

Os últimos panelaços ocorreram no dia 24 de abril, quando o ex-ministro Sergio Moro deixou o Ministério da Justiça acusando o presidente de tentar interferir politicamente na Polícia Federal. As alegações provocaram a abertura de um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) conduzido pelo ministro Celso de Mello. Na ocasião, Bolsonaro foi alvo de três panelaços no mesmo dia.