Após denúncias de abusos sexuais, governador exonera diretor do Degase

·4 minuto de leitura

O diretor do Departamento Geral de Ações Socioeducativas (Degase), major Márcio Rocha, e o corregedor da pasta, Douglas Ultramar, foram exonerados de seus cargos nesta sexta-feira após denúncias de abusos sexuais de agentes contra adolescentes internadas no Centro de Socioeducação Professor Antônio Carlos Gomes da Costa, na Ilha do Governador. A decisão foi tomada após a Justiça ter determinado, em uma Ação Civil pública, o afastamento de cinco agentes da unidade, além do agora ex-diretor, que será substituído pelo tenente-coronel Marcelo Ramos do Carmo. A Polícia Civil também vai apurar as denúncias.

Assédio nos transportes: Mulheres terão serviço para notificação de casos pela central 1746

De acordo com a TV Globo, a denúncia dos abusos foi apresentada à Justiça pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) e reiterada pela Defensoria Pública. Nessa quinta-feira, a juíza Lúcia Mothe Glioche determinou o afastamento dos agentes, além da transferência imediata das meninas para outra unidade, o que deve acontecer neste sábado.

O Centro de Socioeducação Professor Antônio Carlos Gomes da Costa, que tem 19 internas, atualmente é o único a receber meninas de todo o sistema do Degase. O departamento terá que adequar uma nova unidade para elas. Segundo reportagem da TV Globo, as jovens denunciam assédios e abusos sexuais por pelo menos dois agentes. Segundo os relatos, duas jovens teriam chegado a engravidar, mas uma delas teve suspeita de aborto espontâneo.

As jovens e alguns agentes deram depoimento à corregedoria do Degase. A decisão da juíza Lúcia Glioche, ainda conforme notiicou a TV Globo, mostra trechos dos relatos. Em um deles, o diretor da unidade feminina, Leonardo Lúcio de Souza, diz que "uma adolescente afirma ter tido relações sexuais com o agente Edilson na sala de leitura embaixo da câmera de segurança". O agente citado, segundo a investigação, é Edilson Mendes de Araújo.

Em outro trecho da decisão, uma interna afirma que "assim que entrou na unidade, Edilson dava em cima dela". E que, em troca de um celular, uma adolescente de 13 anos fez sexo oral nele. No depoimento, ela afirma que "queria usar o telefone por ter muitas saudades da mãe".

Ainda de acordo com os relatos divulgados pela TV Globo, além de telefone celular, Edilson oferecia balas e lanches em troca de ver partes íntimas, de sexo oral e de "passadas de mão". Em outro trecho de um depoimento, uma adolescente afirma ter mantido relações sexuais com o agente Alison Barreto por duas vezes.

A juíza Lúcia Glioche determinou o afastamento de Edilson Mendes de Araújo e Alisson Barreto. Segundo a decisão, eles não podem continuar exercendo a função de agentes socioeducativos, já que há provas contra eles que evidenciam abusos sexuais, assédios e investidas contra as adolescentes.

A magistrada também determina o afastamento dos agentes Thaís Bernardes Sales Bento, Lucídio Ramos Martins e Raphael Peçanha, bem como do diretor Leonardo Lúcio de Souza. De acordo com a reportagem da TV Globo, as adolescentes ouvidas relataram que Thais, Leonardo e Lucídio sabiam dos assédios que ocorriam na unidade. Já Raphael Peçanha coordenava um dos plantões na unidade.

A decisão afirma que nenhuma providência tinha sido tomada até então pelo poder Executivo, o que também poderia caracterizar omissão diante dos fatos denunciados. À TV Globo, o Sind-Degase (Sindicato dos Servidores da Carreira Socioeducativa do Estado do Rio de Janeiro) afirmou que recebeu com indignação a notícia sobre a denúncia das internas e se disse à disposição da Justiça, dos órgãos de investigação e da direção do Degase para qualquer colaboração na devida apuração dos graves fatos noticiados, ressaltando o sentimento de repúdio por qualquer comportamento incompatível com a função dos agentes de segurança socioeducativos.

Já a defesa do diretor Leonardo Lúcio afirma que o diretor não tinha conhecimento da ocorrência dos fatos relatados pelas adolescentes e, assim que os fatos chegaram ao seu conhecimento, ouviu as adolescentes individualmente junto com a equipe técnica, oficiou à Corregedoria Geral do Degase, o Ministério Público e solicitou o afastamento do agente Edilson da unidade. A defesa do agente Lucídio Ramos Martins afirma que o agente exerce o cargo há mais de dez anos e que nunca seria conivente ou omisso com os fatos denunciados, e que os fatos a ele imputados nada tem a ver com os abusos sexuais relatados.

A defesa de Raphael Peçanha também afirma que os fatos a ele imputados não têm a ver com os abusos sexuais denunciados e que as menores em depoimento elogiaram a conduta do agente, e que a própria juíza menciona o fato de que as adolescentes ouvidas sequer mencionam o seu nome e que a prova colhida em relação ao agente é pueril. As defesas de Edilson Mendes de Araújo, Alisson Barreto e Thaís Bernardes Sales Bento não se pronunciaram até a última atualização da reportagem da TV Globo.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos