Após depredação de terreiro, ativista diz que já recebeu oito denúncias de intolerância religiosa este ano

Louise Queiroga
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Um homem foi autuado por dano pela Polícia Civil do Rio após depredar um terreiro de Candomblé em Jacarepaguá, na Zona Oeste, no último sábado, dia 6. Segundo a corporação, a 32ª DP (Taquara) instaurou inquérito para apurar o crime de intolerância religiosa. Para o Prof. Dr. Babalawô Ivanir dos Santos, interlocutor da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa, a depredação de sábado "é uma prova de como estamos sem proteção".

“Qualquer pessoa se acha no direito de profanar e ultrajar nossa religião", criticou. "Só neste ano, e olha que estamos no início de fevereiro, recebi oito casos, sendo sete deles envolvendo o segmento de matriz africana. É preciso prender, punir, processar".

De acordo com os dirigentes do Ilê Àsé Babami Erinlé e Ogunté, Cristina D Yemanjá, Iyalorixá, de 50 anos, e Babalorixá Felipe D Odé, de 33 anos, o centro religioso na Rua Araticum 1.505, no bairro do Anil, foi atacado por um vizinho durante as festividades para Yemanjá por volta das 18h30 de sábado. Com 43 e 11 anos de iniciados, respectivamente, os dirigentes disseram que o autor, que se titulava evangélico, começou a xingar e depredar o terreiro.

Segundo a Iyalorixá, que está há pouco mais de um ano no local, o espaço pertence a outro religioso de matriz africana que, apesar de ser cunhado do agressor, apoiou o registro de ocorrência contra ele na delegacia. A dirigente contou que esta não foi a primeira vez que o vizinho se manifestou contrário ao templo.

O homem teria utilizado um pedaço de pau para atingir objetos sagrados, como Odù de Yemanjá (combinação de jogo), quartinhas (espécie de jarro com tampa, feito em barro ou porcelana), Erê de Xangô (peças como Gamelinha e Trovoada) e pratos de Yemanjá e Oxalá. A dirigente narrou ainda as ofensas que escutou naquela noite: “Vocês são um bando de macumbeiros. Não quero macumba aqui”, “Por isso que não gosto de macumba”, “Odeio macumbeiros”. Para a polícia, entretanto, o agressor teria dito que agiu daquela forma por sentir-se ameaçado.

A sacerdotisa afirmou ter ficado "estarrecida" e disse que evita realizar atividades no terreiro aos domingos em respeito a uma igreja evangélica próxima. O caso foi denunciado pelos responsáveis do terreiro para a rede Agen Afro.