Após depressão, roupas rasgadas no trabalho e assédio moral de chefe, Franklin David trabalha com namorado viajando o mundo

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Viver com uma mochila nas costas ou uma mala na mão, viajando pelo mundo e ao lado de quem se ama. O sonho de uma grande maioria de pessoas está sendo realizado pelo jornalista e influenciador Francklin David, desde que decidiu dar uma guinada na vida após sofrer de depressão, quase tirar a própria vida e passar por insistentes episódios de assédio moral no trabalho e estar atrelado a um relacionamento abusivo. "Me dei a chance de começar uma nova vida, de viver novas experiências pessoais e profissionais. Isso foi o que me trouxe de volta o brilho no olhar", relata o apresentador.

Vendo de fora, a vida do moço é perfeita,. Sempre pareceu ser. Mas, como nem tudo que reluz é ouro... "Passei um ano e meio em depressão sem saber direito o que era aquilo, sem ter um diagnóstico médico. Foi nesse período que veio a primeira crise de ansiedade, após ter vivido uma situação pesada de assédio moral no trabalho. Ali, eu vi que estava no fundo do poço e vieram os intensos pensamentos sobre tirar minha própria vida. Se eu não tivesse buscado ajuda médica naquele momento, nem sei o que poderia ter acontecido comigo", desabafa Franklin.

Ele conta que ouviu de muita gente que o que ele sentia e relatava era frescura. "Infelizmente, foi o que mais escutei. Ouvir isso é uma das piores coisas que podem acontecer com alguém que tem um quadro de depressão. A carreira na TV, o fato de me considerarem bonito, o corpo que as pessoas tanto elogiavam pareciam tirar o peso de qualquer dor emocional que eu pudesse sentir, afinal tudo era perfeito para quem olhava. E a pessoa que eu namorei nessa época repetia a todo momento que eu era privilegiado, que não tinha nenhuma razão para me sentir triste, que eu era muito fraco por me sentir daquele jeito e que depressão era coisa de quem não tinha problema de verdade. Hoje vejo que além do assédio moral no trabalho, esse namoro abusivo contribuiu muito para o agravamento da doença", pontua ele.

O jornalista relembra alguns episódios que passou na antiga emissora em que trabalhava: "Era uma tortura diária. Já não tinha mais prazer e nem diversão, vivia com falta de ar causada pela ansiedade, era dominado por um medo sem fim e não tinha o menor interesse pela vida que eu tinha construído". Frankli lembra um episódio marcante de assédio moral. Ele conta que devido à crise que o caso desencadeou, teve que passar a tomar remédio controlado. "Fui colocado numa situação onde a minha integridade física estava em jogo e que o desfecho disso foi voltar para a minha casa com a minha roupa rasgada, tendo que atender o telefone e ainda ouvir ameaças por parte do meu chefe na época. Nesse dia, me perguntei o que estava fazendo da minha vida, por que tinha me permitido chegar até aquela situação. Eu não parava de tremer, sentia muita falta de ar e sentia vontade de bater a minha cabeça na parede para que tudo aquilo acabasse. Foi depois disso que a psiquiatra começou a me receitar os famosos tarjas pretas, tentando fazer com que eu me acalmasse", relembra

Hoje, ele namora o turismólogo Vitor Vianna e juntos vão apresentar a segunda temporada do programa ''Aventureiros'', no qual mostram viagens, dicas e narram a história de cada lugar. "Perdi minha mãe no ano passado vítima de um câncer terminal. Então, me marcou muito vê-la lutando para viver durante o tratamento e eu com aqueles sentimentos horríveis e involuntários de tirar minha própria vida. Acho que a garra dela me deu força para não me entregar de vez. Hoje vivo intensamente por ela e por mim".

Curado do transtorno de ansiedade e da depressão, o apresentador se sente à vontade para falar sobre o tema. Mais que isso, ele se sente na obrigação de pautar esse assunto para ajudar outras pessoas. "Sei que posso salvar outras pessoas que vivem agora o que vivi lá atrás. Sou a prova viva de que existe uma saída, um recomeço. Falar sobre esse assunto é a melhor forma de mostrarmos para as pessoas que passam por isso que elas não estão sozinhas, que não são as únicas a se sentirem assim, que tudo vai ficar bem. O setembro amarelo está aí para conscientizar as pessoas. Hoje eu me sinto curado, mas sei que a depressão está aí e que se eu me permitir viver alguma das situações ruins que citei do passado, ela pode voltar", pondera.

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