Após desgaste, Covas mantém amigos de balada no gabinete

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*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, 25.11.2020 - O prefeito e candidato à reeleição, Bruno Covas (PSDB). (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)
*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, 25.11.2020 - O prefeito e candidato à reeleição, Bruno Covas (PSDB). (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Candidato à reeleição, Bruno Covas (PSDB) enfrentou desgaste político e investigação do Ministério Público por nomear uma parente, amigos de balada e de faculdade e a mãe do seu secretário-executivo para postos de confiança na administração municipal.

Os casos, revelados em reportagens da Folha de S.Paulo, resultaram no pedido de demissão da mãe de seu braço-direito em 2018, um mês após recomendação da Promotoria do Patrimônio Público, sob pena de responsabilização dos envolvidos em ato de improbidade administrativa --no caso, derivado de nepotismo.

Das outras nomeações polêmicas, ao menos dois nomes permanecem na gestão, em postos de confiança de Covas: Gustavo Garcia Pires, como secretário-executivo, com salário de R$ 19,7 mil, e Alexandre Macaroni Nardy, que atua no gabinete do prefeito, com salário de R$ 7,7 mil.

Gustavo contratou, com anuência de Covas, ao menos cinco amigos de balada (e também da faculdade). A mãe dele ganhou uma vaga numa sociedade de economia mista comandada pelo município.

Elisabete Gonçalves Garcia Pires, professora aposentada, foi nomeada para a SPTrans, para gerenciar o transporte coletivo por ônibus. O salário de R$ 10 mil dobrou os rendimentos dela, somados à aposentadoria. Na SPTrans, ela era responsável pela supervisão e treinamento de estagiários que atendem a população.

Covas resistiu a demitir a mãe do amigo. O caso foi revelado pela Folha de S.Paulo em junho de 2018, mas ela só pediu demissão em outubro, levando a Promotoria a arquivar a investigação de nepotismo.

Questionada, a gestão do tucano disse lamentar "que a reportagem da Folha persista na reedição de temas já noticiados e anteriormente esclarecidos".

"Reafirmamos que os servidores em questão têm currículo compatível com os cargos para os quais foram designados, histórico profissional, capacidade técnica, foram aprovados pelo Comap (Conselho Municipal de Administração Pública), desempenham as funções para as quais foram designados com empenho e eficiência e contribuíram para que a gestão alcançasse 'a melhor avaliação positiva' de 35%, segundo a mais recente pesquisa Datafolha", diz a nota da Prefeitura de São Paulo.

As contratações aconteceram antes de Covas assumir, em abril de 2018, quando João Doria se exonerou para disputar o governo paulista.

A admissão de Elisabete Garcia ocorreu em 12 de março, quando Covas acumulava o posto de vice e a Secretaria da Casa Civil, responsável pela análise das contratações.

Também antes de assumir a prefeitura Covas empregou na administração sua tia Renata da Fonseca Pereira Covas.

A advogada foi casada com Mário Covas Neto, ex-vereador que não se reelegeu. A mãe do prefeito, Renata Covas Lopes, é irmã do ex-vereador e ambos são filhos do ex-governador Mário Covas, morto em 2001.

Renata e Mário Covas Neto tiveram dois filhos, primos de Bruno Covas. Ela foi nomeada em fevereiro de 2017 para um cargo de confiança na Cohab, estatal responsável pelas políticas públicas de habitação na cidade. Lá, foi assistente no setor jurídico da presidência, com salário de R$ 7,7 mil.

A assessoria de imprensa da prefeitura diz não considerar a tia de Covas como parente e afirma que ela não se enquadra nas restrições de nepotismo na gestão pública.

"Renata da Fonseca Pereira Covas, que é advogada e não é parente do prefeito Bruno Covas, foi casada com Mário Covas Neto há mais de 20 anos. Portanto, não é correto insinuar que haja nepotismo em sua contratação pela Cohab, em 01/02/2017, quando Covas ainda não era prefeito."

Ainda que Renata da Fonseca e Mário Covas Neto não sejam mais casados, a relação permanece, pois têm filhos.

Gustavo Garcia Pires também foi nomeado quando Covas ainda era vice. Na gestão dele, porém, foi promovido e nomeado para o cargo de secretário-executivo do gabinete do prefeito, posto que não existia na gestão João Doria.

Até então, Gustavo era responsável pela organização da agenda de compromissos de Covas na vice-prefeitura, sob a função de assessor especial.

Além de auxiliar de Covas, Gustavo priva de sua amizade. Costumavam ir juntos a festas e baladas. Com amigos, publicaram em redes sociais fotos de uma ida à Croácia.

Gustavo escreveu que a viagem tinha sido uma "trip (viagem, em inglês) épica". Covas disse: "vlw [valeu] irmão!"

Nas viagens internacionais de trabalho, aproveitaram o tempo livre para irem juntos a eventos esportivos, vinícolas e shows. Publicaram foto num show do Red Hot Chili Peppers, em Nova York, em 2017. Gustavo legendou a foto com a palavra "brothers".

Outros cinco amigos de balada também foram contratados --dos quais ao menos Alexandre Macaroni Nardy segue até hoje como coordenador do gabinete do prefeito.

Além de defender "os critérios técnicos e legais" das contratações, a administração diz ser fundamental considerar que cargos de confiança "'são vocacionados para serem ocupados em caráter transitório por pessoa de confiança da autoridade competente (...), a qual também pode exonerar livremente', segundo definição do jurista Antônio Celso Bandeira de Mello".

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