Após divergência entre bancos, Fiesp divulga manifesto em defesa da harmonia entre Poderes

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A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) publicou nesta sexta-feira, nos principais jornais do país, o manifesto que gerou desavenças inéditas dentro da Federação Brasileira de Bancos (Febraban). Intitulado “A Praça é dos Três Poderes”, o texto é muito semelhante às versões que forma divulgadas ao longo da semana passada, depois que Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal ameaçaram romper com a entidade que representa os bancos no país desde 1967. A Febraban não assinou o texto patrocinado pela indústria paulista.

O documento da Fiesp foi publicado um dia após o presidente Jair Bolsonaro divulgar uma "declaração à nação" onde recua dos ataques feitos contra o Supremo Tribunal Federal (STF) durante os atos promovidos por apoiadores no feriado do 7 de setembro.

No texto, escrito junto com o ex-presidente Michel Temer, Bolsonaro diz que nunca teve "a intenção de agredir” quaisquer Poderes e que suas palavras, “por vezes contundentes”, foram ditas no “calor do momento e dos embates”.

A ideia inicial do manifesto patrocinado pela Fiesp era publicar o texto em defesa da harmonia entre os três Poderes antes dos atos convocados para o 7 de setembro.

Diante da reação do comando dos dois bancos estatais e do próprio Palácio do Planalto dias antes, que consideraram o documento um ataque ao governo, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), articulou com o atual presidente da Fiesp, Paulo Skaf, que a divulgação fosse postergada.

A decisão gerou bastante incômodo entre empresários e industriais, que não foram comunicados sobre o adiamento.

Após o recuo de Skaf, a Febraban negou um pedido dos dois bancos estatais de rediscutir a questão e publicou uma nota em que reafirmou o apoio ao conteúdo do texto e se desassociava de futuras decisões da Federação das Indústrias de São Paulo.

O alinhamento político entre o presidente da Fiesp e o Palácio do Planalto causou incômodo entre alguns industriais. Para esse grupo, a atuação de Skaf tirava a legitimidade da Fiesp para brigar com o governo por pontos considerados mais críticos para os empresários, como a redução de impostos.

Skaf sempre foi próximo da gestão Bolsonaro. Ele alimentava o desejo de disputar o governo de São Paulo, no próximo ano, como candidato do presidente, mas Bolsonaro deixou claro ao longo dos últimos meses que pretende apoiar o ministro de Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, na corrida pelo Palácio dos Bandeirantes.

Depois de 17 anos no comando da Federação, Skaf deixará o cargo de presidente da Fiesp em janeiro. A cadeira passará a ser ocupada pelo empresário Josué Gomes da Silva, filho de José Alencar, fundador da Coteminas e vice-presidente do Brasil durante os dois mandatos do presidente Lula (2003-2011).

Alencar morreu aos 79 anos, em março de 2011, em decorrência de um câncer na região abdominal.

Assim como nas primeiras versões, o manifesto da Fiesp não cita nominalmente o presidente Bolsonaro, nem qualquer outro chefe de Poder. No texto publicado nesta sexta-feira, a entidade das indústrias ressalta que a mensagem “não se dirige a nenhum dos Poderes especificamente, mas a todos simultaneamente”.

“Mais do que nunca, o momento exige aproximação e cooperação entre Legislativo, Executivo e Judiciário”, argumentam os signatários em trecho do documento. Assim como nas primeiras versões, o documento destaca que “O momento exige de todos serenidade, diálogo, pacificação política, estabilidade institucional e, sobretudo, foco em ações e medidas urgentes e necessárias para que o Brasil supere a pandemia, volte a crescer de forma sustentada e continue a gerar empregos."

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