Após dizer que governadores enganam população, Bolsonaro diz que há 'cooperação e entendimento'

Daniel Gullino e Gustavo Maia
O presidente Jair Bolsonaro, durante pronunciamento à imprensa, no Palácio do Planalto

BRASÍLIA — Um dia após afirmar que governadores enganam a população e chamá-los de "exterminadores de empregos", o presidente Jair Bolsonaro mudou o tom nesta segunda-feira, ao iniciar uma série de reuniões com os chefes dos Executivos estaduais para tratar sobre medidas contra o novo coronavírus. Após videoconferências com governadores do Nordeste e do Norte , Bolsonaro disse que predominou a "cooperação" e o "entendimento". Na terça-feira, devem ocorrer novas reuniões, com os governantes das regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul.

Em rápido pronunciamento após as duas reuniões, Bolsonaro afirmou que as videoconferências foram "excepcionais" e disse que o coronavírus é o "inimigo comum" de todos, apesar de voltar a demonstrar preocupação com o aumento do desemprego.

— O que mais imperou entre nós foram as palavras cooperação e entendimento. Sabemos que temos um inimigo em comum, o vírus. Bem como, sabemos e temos a consciência que o efeito colateral, que pode ser o desemprego, pode ser combatido. Então, partindo essa premissa, foram duas reuniões excepcionais, onde anunciamos reposta às cartas dos governadores e de associações representativas dos prefeitos.

O discurso foi bem diferente do adotado na véspera, quando, em entrevista à TV Record, Bolsonaro disse que governadores "fogem de sua responsabilidade e atacam governo federal" e que "brevemente, o povo saberá que foram enganados por esses governadores e por grande parte da mídia nesta questão do coronavírus". Também afirmou que estava fazendo contato direto com prefeitos para tratar da pandemia, porque alguns governadores vivem em uma "fantasia" e estariam criando uma crise "muito pior do que o próprio coronavírus".

Após as reuniões desta segunda, o presidente se disse "muito feliz", agradeceu aos governadores e afirmou que eles apresentado pedidos "de forma muito justa".

— Estou muito feliz. Cumprimento não só os governadores, bem como meu vice-presidente da República, os senhores ministros e secretários, que foram pessoas que realmente, com muita galhardia, com muita competência, souberam dar uma resposta aos senhores governadores que, de forma muito justa, haviam pleiteado a nós. Meu muito obrigado a todos.

Durante as videoconferências, Bolsonaro anunciou um pacote de R$ 88 bilhões para reforçar o caixa de estados e municípios. Entre as medidas, está a suspensão das dívidas dos estados com a União, que custará à União R$ 12,6 bilhões.

Questionado sobre a contradição entre as falas anteriores de Bolsonaro e tentativa de entendimento, o secretário de Fazenda do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues Júnior, afirmou que reunião foi um "momento de altíssimo simbolismo":

— A solução trazida hoje pelo presidente foi de um momento de um altíssimo simbolismo, o presidente conversando, dialogando, buscando soluções com os nove governadores do Nordeste, em seguida com os setes governadores da região Norte, as outras regiões também terão reuniões similares, a partir de pleitos dos próprios governadores, bem como de prefeitos — disse Waldery, em entrevista coletiva.