Após dois anos, Parada do Orgulho LGBTQIAP+ lota a orla de Copacabana

Após dois anos apenas com atividades virtuais, a 27ª Parada do Orgulho LGBTQIAP+ acontece neste domingo, dia 27, na praia de Copacabana. O tema deste ano é "Coragem para ser feliz". A concentração aconteceu na Avenida Atlântica, altura da Rua Sá Ferreira (posto 5), às 11h. O desfile, que teve início por volta das 14h, vai até a Rua Rodolfo Dantas.

A concentração teve trios elétricos temáticos, como o Trio Povos originários, Pessoas Negras, Prevenção contra a Aids e Torcedores pela Democracia. A Parada tem o apoio da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) este ano. O grupo Arco-Íris, que organiza o evento, estimou um público total de 700 mil pessoal.

— A gente não pode ser uma cidade referência para o turismo LGBT se a cidade não for agradável para o turista LGBT. Essas políticas públicas são muito importantes na geração de empregos, do negócio, de renda e de divisas. O nosso objetivo é o impulsionamento econômico LGBT através da geração de emprego. Nós temos o programa Fornecedores diversos, que credencia empresas majoritariamente comandadas por LGBTs pra ligar essas pessoas às grandes corporações — diz Ricardo Gomes, presidente da Câmara de Comércio e Turismo LGBT do Brasil.

Já o deputado estadual Carlos Minc, que faz parte do grupo de transição, afirmou que vai lutar para que haja uma secretaria pela causa LGBT.

— É uma maravilha ver como se expande, cada vez mais, novos setores, novas lutas envolvendo adolescentes e crianças. Nenhum governo democrático pode deixar de ter esta pauta no primeiro escalão. Essas pessoas não se calaram.

A vereadora Monica Benicio, viúva da parlamentar assassinada Marielle Franco, revelou que uma das lembranças que tem com a Marielle na Parada é de ser o lugar em que elas podiam se beijar em público:

— Era onde a gente podia ser um casal. É uma das lembranças que tenho com ela, isso pelos anos 2000, antes mesmo de ela ser vereadora.

Monica também falou sobre a necessidade de luta contra o racismo:

— Numa sociedade onde o racismo é estrutural, se a luta antirracista não estiver no centro do debate, não há democracia e diversidade plena. Se a gente não tiver a comunidade trans sendo respeitada em direitos de igualdade de deveres e respeito, não estamos falando de uma sociedade que seja plena e diversa.

A cantora Maíra Garrido, de 31 anos, se recordou da primeira vez que esteve em uma Parada LGBT.

— Lembro que a primeira vez que vim à Parada foi com 10 anos, com meu pai, minha avó, minha mãe e meu padrasto. Isso foi muito importante para mim, estar em família neste lugar — conta Maíra, que também tem músicas sobre diversidade, as últimas de seu EP "Pode amar", lançado neste ano.

Outra presente na parada é Lua Arruzzo, de 20 anos, agente promotora de cidadania do projeto Garupa, que faz parte da coordenadoria executiva de diversidade sexual da prefeitura, em parceria com a secretaria de assistência social falou sobre a importância do projeto criado em junho de 2021.

— A gente começou para referenciar pessoas trans para a vacinação. A população trans procura menos os serviços de saúde por conta do preconceito. Hoje, atendemos todas as necessidades, pesquisamos o que cada pessoa precisa. Desde consultas com endocrinologista até cirurgias. Também para retirar documentos e outras questões. Somos intersetorial. Encaminhamos cada pessoa para suas necessidades e acompanhamos, se for necessário.

Além das pessoas citadas, o evento contou com a presença de personalidades como a ex-BBB Emily e a socialite Narcisa Tamborindeguy. Nesta edição, o público e organizadores estenderam uma bandeira de 124 metros do grupo Arco-Íris. A novidade é a inclusão das novas cores que representam as causas das pessoas intersexo, transexuais, a luta antirracista e contra a intolerância religiosa. São elas as cores preta, marrom, rosa, azul claro e branca.

Uma das presenças comuns nas paradas, a drag queen Valéria na Copa, personagem do cabeleireiro Sandro Nogueira, de 29 anos. De São Gonçalo, ela também apresenta a parada de Domingueira, no município, e de Maricá.

— Faço esse personagem desde 2014, surgiu na Copa do Mundo. E é também uma homenagem ao personagem do Rodrigo Santana no antigo "Zorra total". As pessoas já me conhecem pedem pra tirar fotos, me marcam nas redes. Um momento inesquecível das paradas foi quando conheci a Isabelita dos Patins, em 2014. Ela me conheceu pelas redes e me chamou aqui em Copacabana, tiramos fotos juntas — conta Valéria.

A Parada LGBTQIAP+ também atrai turistas para a cidade. É o caso deste casal que vei do Espírito Santo justamente para o evento. O dentista Angelo Fortunato, de 42 anos, e o enfermeiro Luciano Eccard, de 44, ressaltaram a importância do evento para a comunidade atualmente.

— Acredito que a Parada agora é pra fortalecer a situação de degradação que a nossa comunidade estava sofrendo nos últimos quatro anos. Passamos por um momento de forças que queriam que nos comportássemos numa ideia de volte para o armário — pontuou Luciano.

Os dois estão casados há 17 anos e tem três filhos, um de 19 anos e duas gêmeas, de 18. Eles nasceram em casamentos anteriores com mulheres dos dois homens que se definem como homossexuais.

— A parada nos faz lembrar o que a gente quer ser e viver nesse mundo. É isso aqui que queremos. Passamos por um momento muito ruim nos últimos anos, de sensação que iríamos tomar uma lamparina na cabeça a qualquer momento — completou Angelo.

Esquema especial de trânsito

A CET-Rio montou um esquema de trânsito especial: a primeira etapa das interdições começou às 23h30 deste sábado (26), com a interdição da pista junto à orla da Avenida Atlântica, entre as ruas Francisco Otaviano e Miguel Lemos. O objetivo é posicionar os trios elétricos que participarão do evento.

Às 7h de domingo, foi implantada a área de lazer na via, como ocorre aos domingos e feriados. Mas, a partir das 10h, interdição da pista junto às edificações da avenida, no trecho entre a Rua Joaquim Nabuco e Avenida Princesa Isabel, além de seus acessos, em caso de ocupação pelo público.

A área de lazer da Avenida Atlântica e a interdição da pista junto às edificações serão mantidas até o término do evento. A desocupação da via pelo público e a limpeza das pistas, com a liberação ao tráfego de veículos, é prevista para até 23h.

A inversão de mão da Avenida Atlântica, pista das edificações, funcionará em seu horário habitual, das 7h às 18h.

A ação da CET-Rio conta com cerca de 80 agentes, entre guardas municipais, operadores e apoiadores de tráfego. Painéis de mensagens informarão sobre as interdições e condições de tráfego na região. A recomendação é utilizar o transporte público para a chegada e saída do evento.

Por conta das interdições, a CET-Rio pede que os motoristas busquem rotas alternativas e evitem passar pela região.