Após dois meses em uma balsa em Marselha, refugiados ucranianos partem "para o desconhecido"

Este se tornou um dos maiores centros de acomodação na França: em Marselha, uma balsa colocada à disposição de centenas de refugiados ucranianos há mais de dois meses deve zarpar novamente, e seus últimos ocupantes tiveram que desembarcar nesta sexta-feira (10), motivo de angústia para muitos.

“Foi tudo ótimo, a atitude do pessoal, da cidade…”, testemunhou à AFP Oksana Yanak, economista de 53 anos. Na hora da partida hoje, ao cruzar os portões do porto, essa morena alta de Odessa (sul da Ucrânia) estava em prantos.

Alugado pelo Estado francês desde o final de março, o barco "Méditerranée", da companhia marítima Corsica Linea, acomodou até 900 ucranianos no porto de Marselha, a poucos passos do centro da cidade, lhes oferecendo quartos e refeições, além de assistência social e médica, e um serviço de acolhimento de crianças.

Oksana, assim como cerca de 400 outros refugiados, de acordo com a prefeitura, esperou até o último momento para deixar o navio. Um ônibus a levará a Istres, uma cidade de 43 mil habitantes a cerca de 50 quilômetros de Marselha. Um recomeço que a preocupa muito: "Não sabemos o que vai acontecer lá, não nos disseram quais são as condições. Caminhamos para o desconhecido".

A bordo, ela pôde "tomar um café com os amigos, se despedir da tripulação". Alona viu "pessoas muito nervosas, com malas grandes, prontas para sair, mas que não sabem para onde estão indo", semanas depois de fugir da guerra que assola a Ucrânia desde a invasão russa.


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