Após esgotar armas soviéticas, Ucrânia depende da ajuda de aliados

Kiev esgotou seu arsenal de fabricação russa e soviética, dependendo agora exclusivamente de seus aliados para obter armas para contra-atacar a invasão russa, segundo fontes militares americanas. O atual epicentro do conflito é no Leste do país, onde disputam o controle de Severodonetsk — confronto que, segundo o presidente Volodymyr Zelensky, irá definir o destino de Donbass, que compreende as regiões de Donetsk e Luhansk.

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Ex-república soviética, a Ucrânia construiu seu Exército e Defesa com equipamentos russos e soviéticos. São armas pequenas, tanques, obuses e outros equipamentos não comparáveis ou compatíveis com os usados por seus vizinhos ocidentais. Para operá-los, também são necessárias técnicas diferentes.

Mais de três meses após a invasão russa, em 24 de fevereiro, praticamente todo o arsenal ucraniano já foi usado ou destruído nas batalhas, disseram fontes americanas. Agora, resta aos ucranianos fazerem apelos por mais armas — com elas, disse na quinta-feira o governador de Luhansk, Serguei Gaiday, o controle de Severodonetsk poderia ser retomado "em dois ou três dias" — e aprenderem a usar os armamentos fornecidos pelos Estados Unidos e por países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), a aliança militar comandada por Washington.

No início da guerra, o Ocidente estava cauteloso em fornecer um grande volume de armas a Kiev, preocupado que isso levasse a um conflito entre a Rússia e a Otan. Também temiam, no entanto, que sua tecnologia caísse nas mãos dos russos.

Logo, os aliados ucranianos ofereceram seu próprio arsenal de fabricação russa, incluindo tanques e helicópteros, para reforçar o arsenal de Kiev. Washington também liderou um esforço para fornecer munição, peças e suprimentos adicionais que pudessem atender às especificidades ucranianas. Os equipamentos, contudo, já foram todos usados ou destruídos.

— Desapareceram do mundo — disse uma autoridade dos EUA sobre as armas.

Isso significa que as forças ucranianas foram obrigadas a mudar migrar para armas com especificidades ocidentais com as quais não estão acostumados. Sem os temores antigos de escalar o conflito ou de tecnologias sensíveis pararem nas mãos russas, os EUA e a Otan agora enviam armamentos pesados para a Ucrânia. Entre eles, obuses e dispositivos HIMARS, lança-foguetes que permitem disparos múltiplos, têm alcance de até 80 km e são instalados em veículos blindados leves.

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Sob a égide do Grupo de Contato para a Ucrânia, ministros da Defesa de países aliados coordenam a assistência para que as forças de Kiev recebam um fluxo constante de munição, peças de reposição e armas, disse outro militar americano. As autoridades enfatizam, no entanto, que se a chegada das armas é aparentemente lenta, é principalmente porque os aliados querem garantir que os militares da Ucrânia possam usá-las com regularidade e segurança.

O ritmo controlado também reduz o risco de que os estoques de armas sejam destruídos por bombardeios dentro da Ucrânia. Por isso, os EUA enviam os equipamentos em parcelas: o mais recente é um pacote de US$ 700 milhões, anunciado em 1º de junho, que inclui quatro sistemas HIMARS, mil mísseis antitanques Javelin e quatro helicópteros Mi-17 de fabricação soviética, além de 15 mil projéteis de obus, 15 veículos blindados leves e outras munições.

— Tentamos manter um fluxo constante — afirmou um segundo funcionário americano.

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Washington se preocupa particularmente em ensiná-los a usar os HIMARS antes de enviar mais, indicou na quarta o chefe do Estado-Maior americano, Mark Milley. É necessário capacitar um pelotão inteiro, processo que pode levar semanas: além de soldados para operar os sistemas, oficiais, suboficiais e pessoas para fazerem a manutenção nos sistemas também precisam ser treinadas.

— Temos que certificar esses homens para garantir que eles saibam como usar o sistema corretamente — disse Milley. — Se eles o usarem de maneira adequada e eficaz, terão um efeito muito, muito bom no campo de batalha.

Kiev pediu várias vezes lança-foguetes HIMARS de longo alcance, mas Washington os forneceu apenas quando sentiu que a Ucrânia estava pronta, de acordo com as fontes americanas. O governo Biden, no entanto, ainda freia o envio de drones táticos Grey Eagle, tremendo que possam ser usados para atacar em pontos distantes do território russo e que isso desencadeie um conflito direto com Moscou.

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