Após expulsão de quatro deputados, parlamentares pró-democracia de Hong Kong anunciam renúncia em massa

·2 minuto de leitura
Foto: ANTHONY WALLACE / STF
Foto: ANTHONY WALLACE / STF

HONG KONG — Deputados pró-democracia de Hong Kong anunciaram, nesta quarta-feira, que pretendem renunciar em massa após a expulsão de quatro colegas, por decisão das autoridades locais. As expulsões são o mais recente golpe contra o movimento pró-democracia de Hong Kong, alvo de ataques frequentes desde que a China promulgou uma polêmica lei de segurança nacional na ex-colônia britânica, devolvida para a China em 1997, mas com um estatuto semiautônomo.

A renúncia em bloco deixará o Conselho Legislativo (LegCo, o Parlamento local) praticamente nas mãos de deputados leais a Pequim.

— Nós, o campo pró-democracia, apoiamos nossos companheiros que foram desqualificados. Vamos renunciar em bloco — disse Wu Chi-wai, representante dos 15 deputados pró-democracia do Parlamento local.

Algumas horas antes, quatro deputados foram expulsos do Parlamento com base na resolução que permite às autoridades locais cassar os mandatos de políticos que são considerados uma ameaça, sem a necessidade de passar por um tribunal. Em um comunicado, o governo de Hong Kong anunciou que os quatro legisladores em questão "perderão de maneira imediata o título de deputado".

O LegCo, que vota as leis em Hong Kong, tem 70 membros, nomeados com base em um sistema complexo que garante quase automaticamente a maioria ao bloco favorável a Pequim. Apenas 35 deputados são eleitos por votação direta e os demais são indicados por grupos favoráveis à China.

— Se o respeito dos procedimentos, a proteção do sistema e a luta pela democracia e os direitos humanos merecem a exclusão, é uma honra — afirmou Dennis Kwok, um dos quatro deputados expulsos.

Já a chefe de governo de Hong Kong, Carrie Lam, defendeu que as expulsões dos deputados são "constitucionais, legais, razoáveis e necessárias".

Os quatro deputados integravam as 12 candidaturas às legislativas de Hong Kong que foram invalidadas no fim de julho. As eleições, que aconteceriam em 6 de setembro, foram adiadas por um ano, devido à pandemia de coronavírus.

Os partidários pró-democracia de Hong Kong sentem que são cada vez mais perseguidos desde a entrada em vigor da Lei de Segurança Nacional, aprovada sem passar pelo Parlamento local. Uma das reivindicações dos protestos era justamente a possibilidade de escolher os dirigentes e deputados.

Entre as punições previstas pela lei está a detenção por mensagens publicadas nas redes sociais. De acordo com os críticos, a norma representa um golpe fatal ao princípio de "um país, dois sistemas", que garantia até 2047 uma série de liberdades inéditas na China continental. Por este motivo, alguns ativistas decidiram fugir para o exterior.

Desde o início das manifestações, mais de 10 mil pessoas foram detidas. Nos tribunais, acumulam-se acusações contra deputados da oposição e figuras importantes do movimento pró-democracia.