Após fala de Guedes, dólar renova recorde e vai a R$ 4,37

RIO - Um dia após o ministro Paulo Guedes dizer que o câmbio não está nervoso, o dólar renovou seu recorde e abriu a sessão desta quinta-feira a R$ 4,3734, alta de 0,53%. Na véspera, a moeda americana encerrou a R$ 4,3505, depois de Guedes se envolver em nova polêmica, ao afirmar que o dólar mais baixo estava permitindo a trabalhadores de renda mais baixa, como as domésticas, viajar até para Disney.

— O câmbio não está nervoso, (o câmbio) mudou. Não tem negócio de câmbio a R$ 1,80. Todo mundo indo para a Disneylândia, empregada doméstica indo para Disneylândia, uma festa danada. Pera aí. Vai passear ali em Foz do Iguaçu, vai passear ali no Nordeste, está cheio de praia bonita. Vai para Cachoeiro do Itapemirim, vai conhecer onde o Roberto Carlos nasceu, vai passear no Brasil, vai conhecer o Brasil. Está cheio de coisa bonita para ver — disse o ministro, durante um evento em Brasília.

Na máxima da sessão desta quarta, a moeda chegou a R$ 4,3535, também o maior valor nominal (ou seja, sem considerar a inflação) já alcançado durante as negociações.

No mês, o dólar acumula valorização de 1,53% e, no ano, de 8,5%.

Analistas avaliam que cotação do dólar pode chegar a R$ 4,45, devido a um conjunto de fatores: redução dos juros básicos no Brasil (para 4,25%), uma agenda de reformas ainda incerta e os temores sobre o avanço do coronavírus.