Após falar em 'matar um monte de judeus' no rádio, jornalista é exonerado da Alesp e alvo do MP

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SÃO PAULO — Um dia após falar em "matar um monte de judeus", o jornalista José Carlos Bernardi foi exonerado do gabinete do deputado Campos Machado (PTB), na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), onde ocupava um cargo comissionado. Bernardi, que é comentarista da rádio Jovem Pan, relacionou o crescimento econômico da Alemanha com o Holocausto e afirmou na última terça-feira que o Brasil enriqueceria “se a gente matar um monte de judeus e se apropriar do poder econômico deles”.

— É só assaltar todos os judeus que a gente consegue chegar lá. Se a gente matar um monte de judeus e se apropriar do poder econômico deles, o Brasil enriquece. Foi o que aconteceu com a Alemanha pós-guerra — afirmou o jornalista em participação no "Jornal da Manhã".

O comentário recebeu críticas por parte dos integrantes da comunidade judaica, que classificaram a declaração como antissemita. O grupo Judeus pela Democracia disse que a fala se apoia no mito antissemita da riqueza dos judeus e ignora totalmente os diversos fatores econômicos que alçaram a Alemanha ao patamar de desenvolvimento atual.

Em nota, Campos Machado manifestou repúdio ao comentário que classificou como "infeliz" e disse que não poderia continuar com os serviços do jornalista tendo em vista o seu "excelente relacionamento com a comunidade" judaica e a "amizade pessoal" com inúmeros judeus.

"Portanto, quero informar que, hoje mesmo, em comum acordo com o profissional José Carlos Bernardi, decidimos que não havia mais condições dele permanecer em meu gabinete, me restando determinar, de imediato, hoje mesmo, as devidas providências para a sua imediata exoneração do cargo que ocupava."

MP-SP instaura procedimento

Também nesta quarta-feira, a promotora de Justiça Maria Fernanda Balsalobre Pinto, do Ministério Público de São Paulo, instaurou um procedimento para apurar eventual cometimento de crime de ódio por intermédio de meios de comunicação, caracterizando antissemitismo, pelo comentário feito por Bernardi no Jornal da Manhã.

A promotora, que comanda o Grupo Especial de Combate aos Crimes Raciais e de Intolerância (Gecradi), determinou que se oficie ao grupo Jovem Pan, solicitando a mídia original do programa jornalístico no prazo de três dias.

Procurado, o jornalista não respondeu até a publicação desta reportagem.

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