Após filas, Wilson Witzel determina reabertura de estação de trem

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Espera para entrar na estação de metrô da Pavuna, onde há triagem

O governador Wilson Witzel voltou atrás no fechamento da estação de trem Corte 8, em Caxias. Como houve aglomeração no local, o embarque foi novamente autorizado na estação, que terá acesso controlado por policiais. Outras nove ficarão fechadas ao público: Paracambi, Lajes, Presidente Juscelino, Olinda, Vila Rosali, Agostinho Porto, Coelho da Rocha, Campos Elíseos e Jardim Primavera.

A redução na circulação de passageiros da SuperVia até as 16h de segunda-feira foi de 69,3%: 261,5 mil usuários a menos. As restrições são previstas em decreto do governador. Desde sábado, há pontos de controle em 15 estações de trem. No metrô, o fluxo teve queda de 82% até as 17h. Há bloqueios nas estações Pavuna, Eng. Rubens Paiva e Acari. Na Pavuna, passageiros que estavam na fila para tentar embarcar se queixavam.

— Cheguei à estação e tive que correr atrás para saber se eu poderia embarcar. Não custa ter cartazes e funcionários explicando — reclamou Bruno Oliveira, morador da Pavuna.

O técnico administrativo Flávio Silva, que trabalha numa clínica médica, estava confuso:

— Cheguei e não sabia se minha profissão seria considerada essencial ou não. Não sou profissional direto da saúde, mas atuo na área. Falta clareza.

O Metrô Rio promete reforçar a comunicação a partir de hoje, inclusive sobre a distância mínima de 1 metro considerada segura entre usuários.

Na estação das basrcas de Arariboia, Niterói, onde também há triagem, uma mulher com tosse foi barrada. Com a boca e o nariz protegidos por uma toalha de mão, ela alegava ter uma declaração por escrito de seu patrão — um médico da Polícia Militar para quem trabalha como babá — para que pegasse uma barca. Foi impedida.

— Não sabemos o que a senhora tem. Como vamos liberar seu acesso? — disse um dos PM que estavam na triagem.

Primeiro dia de desordem

Apesar da necessidade de se evitar aglomerações, a segunda-feira foi marcada por longas e desordenadas filas nos transportes públicos e em pontos de vacinação contra a gripe. Muitos idosos saíram de casa no primeiro dia da campanha de imunização, e uma multidão preocupada com o risco de perder o emprego encarou o desafio de tentar pegar trens e barcas rumo ao município do Rio. Muita gente, no entanto, acabou barrada nos bloqueios pela Polícia Militar nas estações.

De manhã, estações de trens, metrô e barcas foram cercadas por pessoas que não sabiam ao certo quem podia ou não embarcar. Em algumas estações ferroviárias da Baixada, as filas eram quilométricas. O acesso só está liberado para quem trabalha na área de saúde ou em outros setores considerados essenciais, mediante a apresentação de um documento que comprove a atividade. A espera até os pontos de triagem para o embarque foi longa, com pessoas muito próximas umas às outras. E, depois de tanto esforço, muitas saíam desoladas por não terem conseguido pegar uma composição.

Barrado na estação de Nova Iguaçu, do ramal de Japeri, após uma espera de um hora, o pedreiro Marcos Vinícius Caramuru da Silva se desesperou:

— Saí de casa às 4h e cheguei aqui às 4h30 para tentar pegar o trem até o meu trabalho, no Centro do Rio. Vim enfrentar tudo isso porque tenho quatro filhos e contas a pagar. Não posso ficar desempregado. Quando chegou a minha vez de passar, disseram que eu não podia entrar porque não fazia parte do grupo de profissionais essenciais — contou o pedreiro.

Para muitos, restou gravar a triagem no celular e mandar o vídeo para seus empregadores, numa tentativa de sensibilizá-los da situação. O fantasma das dívidas e do desemprego levou Antônio Miranda para a fila em Nova Iguaçu, mesmo com o perigo do coronavírus. Ele pegaria o trem até o Centro do Rio e de lá seguiria para Niterói, onde trabalha.

— Tenho uma filha para criar e contas a pagar. Queria poder ter ficado em casa, mas tenho que ir trabalhar. Todo mundo tem medo de ficar desempregado e comigo não é diferente — disse.

Em Duque de Caxias e Belford Roxo, os usuários de trens também enfrentaram filas, só que menores do que as vistas em Nova Iguaçu. A operadora de telemarketing Luciana Lima, de 40 anos, que trabalha na Barra da Tijuca, tentou ir de trem de Caxias para o Rio porque também teme faltar o trabalho.

— Eu só soube do bloqueio aqui na estação. Uso habitualmente o ônibus, mas como não tem, optei pelo trem. Tenho medo de me prejudicar de alguma forma. Infelizmente, não consegui embarcar e vou ter de voltar pra casa - lamentou Luciana.