Após fim da greve, segurados do INSS ficam sem atendimento por furto de cabos na Praça da Bandeira

Após praticamente dois meses de atividades paralisadas por conta da greve de médicos peritos e servidores em todo o país, a agência do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) na Praça da Bandeira deixou os segurados com atendimentos agendados para esta quinta-feira (dia 26) a ver navios. O problema foi causado pelo furto de cabos de energia que ficam nos fundos da unidade. No local, funcionava um ferro velho clandestino, onde o perito criminal da Polícia Civil Renato Couto foi morto no início do mês.

O furto de cabos nesta agência da Previdência Social é frequente. Com isso, sofrem os segurados que percorrem grandes distâncias para chegarem ao local, depois de aguardarem vários dias pelo atendimento. Além de não conseguirem ser atendidos no dia marcado, eles reclamam da falta de informações dos servidores sobre como proceder. Além disso, saem da unidade sem o comprovante de comparecimento, o que é um direito do segurado.

Morador de Padre Miguel, na Zona Oeste do Rio — distante 35,2km da Praça da Bandeira —, Edmilson Pereira Machado, de 57 anos, saiu de casa às 5h para fazer a perícia médica necessária à renovação do auxílio-doença. Ele não conseguiu atendimento, muito menos a declaração de comparecimento do INSS.

Machado é hipertenso, tem prótese no joelho, passou por algumas cirurgias e faz tratamento psiquiátrico. Nervoso pela falta de informações, ele conta que está em auxílio-doença desde 2015 e, apesar de já ter o tempo necessário para aposentar, o INSS não lhe concede esse benefício.

— Já trabalhei em diversos lugares, fiz meus recolhimentos para o INSS e, no mesmo período em que fiquei doente, perdi o emprego. Entrei em auxílio-doença já desempregado e, agora, o prazo (do benefício) está vencendo. Estou com laudos médicos e exames para mostrar ao perito e renovar a licença. Como vou viver se cortarem esse auxílio? No próximo mês, já não devo receber — explica o segurado, acrescentando: — Pedi uma declaração de que estive aqui para a funcionária, e ela simplesmente virou as costas e não me respondeu. Eu sei que é meu direito ter esse papel que comprova que estive aqui para me resguardar. É muito descaso com o povo!

A demora no agendamento foi um dos pontos destacados por Wagner Alves de Souza, de 29 anos, morador de Campo Grande, também na Zona Oeste, que fica a 61,7km do posto do INSS. Ele tentava passar pela perícia médica nesta quinta-feira, pela terceira vez.

O primeiro atendimento para alta médica foi agendado para 30 de março, mas, por conta da greve dos peritos, (o exame) foi adiado para 25 de abril. Depois, foi transferido para esta quinta-feira. Agora, com o furto dos cabos de energia da agência, o jovem — que anda com auxílio de muletas — conseguiu reagendamento para 1º de julho, por meio da central telefônica 135.

— É um absurdo atrás do outro. Estou em auxílio-doença desde agosto do ano passado e tenho enfrentado condução cheia para ser atendido e não consigo. Não é favor o que estou pedindo, é um direito meu. Na outra vez em que estive aqui, a própria funcionária reagendou (a perícia). Agora, fui orientado a ligar para o 135. E o INSS não deu uma declaração de comparecimento. Meu benefício vai ser suspenso. Como fazer até julho? — questiona.

É importante destacar que, mesmo com a agência fechada, é importante comparecer no dia e no horário agendados pelo INSS, orienta Diego Cherulli, vice-presidente do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário (IBDP).

Ele explica que, se a pessoa não for atendida, um funcionário da unidade poderá reagendar o exame, ou o interessado poderá pedir que lhe seja dado um comprovante de comparecimento.

Se o segurado for orientado a remarcar a perícia pelo telefone 135 ou pela internet — via portal ou aplicativo Meu INSS —, o reagendamento deverá ser feito no prazo de sete dias.

— O benefício só é suspenso se a pessoa faltar à perícia e não justificar a ausência ou não pedir a remarcação — diz Cherulli.

Caso não consiga o comprovante de comparecimento ou a remarcação da perícia no dia do atendimento na agência, o segurado tem a opção de ir à delegacia e registrar uma ocorrência, informando que esteve no INSS para a perícia médica e não conseguiu um documento comprovando que o exame não foi realizado.

— É importante pegar nome completo e matrícula do servidor. Eles são obrigados a dar esses dados — completa.

Procurado, o INSS informou que os furtos de cabos na Praça da Bandeira haviam cessado após a colocação de grades nos fundos da agência. Mas, com a retirada delas, o problema voltou a ocorrer. No local funcionava um ferro-velho clandestino, que foi desativado após a morte do perito criminal da Polícia Civil.

Segundo relatos, a Prefeitura do Rio esteve no local para retirar o material que estava acumulado no ferro-velho e acabou retirando as grades, que já estavam em péssimo estado de conservação. O EXTRA entrou em contato com a Secretaria de Ordem Pública (Seop), que respondeu em nota:

"A Secretaria de Ordem Pública realizou a demolição de um ferro-velho clandestino, ao lado do INSS, na última semana e entre as estruturas irregulares estavam retalhos de grades enferrujadas que funcionavam como um portão improvisado".

A expectativa, segundo o INSS, é que o atendimento na agência da Praça da Bandeira seja restabelecido ainda na tarde desta quinta-feira. "Estamos com a equipe trabalhando para dar celeridade no reparo e garantir o atendimento à população", informou.

Apesar de a servidora da unidade ter orientado os segurados a ligarem para a central de atendimento 135, a fim de reagendar o atendimento, o INSS emitiu uma nota informando que "os atendimentos que estavam agendados para ontem (25) e hoje (26) serão reagendados pelo próprio Instituto, preservando a data de entrada do requerimento dos segurados agendados".

O órgão informou ainda que os interessados deverão entrar em contato com a central 135, disponível de segunda-feira a sábado, das 7h às 22h, para tomar conhecimento da sua nova data de atendimento.

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