Após fim de protestos, Justiça do Equador inicia julgamento de líder indígena Leonidas Iza

A Justiça equatoriana deu início a um processo contra o líder indígena Leonidas Iza, considerado a principal face dos protestos contra a alta de preços e contra o governo do país. A ação está sendo conduzida por um tribunal em Latacunga, na região dos Andes — foi neste local que Iza foi preso por 24 horas no dia 14 de junho, em um incidente que acabou dando força ao movimento.

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Na época, ele foi detido por ter participado do fechamento de ruas, e hoje é acusado pela promotoria por agir para paralisar os serviços públicos, um crime que pode ser punido com até três anos de prisão. Do lado de fora do tribunal, cerca de 2 mil indígenas fizeram um ato em apoio a Iza, presidente da poderosa Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador (Conaie).

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Apesar da expectativa pelo início dos depoimentos, a sessão foi suspensa logo em seus momentos iniciais: a defesa de Iza questionou o fato de a juíza do caso, Paola Bedón, ser a mesma responsável pela libertação do líder indígena em junho.

— Pedimos uma consulta à Corte Constitucional sobre um tema importante: acreditamos que a juíza que já ouviu (na etapa de) flagrante não pode ser a juíza que decide. Há contaminação de provas — explicou Carlos Poveda, que integra a defesa de Iza.

Com isso, o julgamento ficará suspenso até 9 de agosto, quando a Corte deve se pronunciar.

— Senti realmente uma pressão fatal para que a justiça atue de forma tendenciosa — disse Iza à imprensa ao deixar o tribunal. — Exigimos à justiça ordinária deste país que tenha imparcialidade.

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Ao longo de 18 dias de protestos, os indígenas exigiam uma redução de até 21% nos preços dos combustíveis, a suspensão do pagamento de empréstimos de produtores rurais aos bancos e o fim de atividades de mineração e extração de petróleo em territórios demarcados. Nas últimas semanas, seis pessoas morreram e mais de 600 ficaram feridas, incluindo forças de segurança e civis.

Na quinta-feira passada, o governo de Guillermo Lasso e a Conaie assinaram uma “ata de paz” para colocar fim aos protestos, em boa parte concentrados na capital, Quito. Pelo texto, mediado pela Igreja Católica, o governo concordou com a redução de até 8% dos preços de combustíveis como diesel e gasolina. Uma nova rodada de negociações está marcada para a próxima quinta-feira, quando serão discutidos temas ainda em aberto, como a concessão de subsídios a comunidades rurais.

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Após o fim dos protestos, autoridades e empresários começam a contabilizar as perdas provocadas pelos atos, que incluíram a paralisação de estradas e unidades de produção de petróleo. Em entrevista ao canal Teleamazonas, Guillermo Avellán, gerente-geral do Banco Central do Equador, estimou que o país tenha perdido até US$ 1 bilhão em pouco mais de duas semanas.

— As perdas totalizam um montante de US$ 1 bilhão, com US$ 775 milhões correspondendo ao setor privado e US$ 225 milhões a perdas no setor estatal, especificamente no petroleiro — detalhou.

Segundo o Ministério da Energia, a produção nos campos está sendo gradualmente retomada.

Ele afirmou também que, antes dos protestos, a expectativa do governo era de uma melhora nos indicadores econômicos em 2022, com crescimento estimado do PIB de 2,8%.

— As vendas locais vêm aumentando de maneira muito significativa e esse é o ritmo que devemos ter no segundo semestre para que o impacto das manifestações possa ser minimizado — afirmou. No primeiro trimestre do ano, o PIB cresceu 3,8% em relação ao mesmo período de 2021.

Na entrevista, Avellán revelou que US$ 3 bilhões serão destinados para custear os subsídios aos preços dos combustíveis, acertados na “ata da paz” entre governo e indígenas.

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