Após golpe, alunos de medicina na USP fazem vaquinha para salvar festa de formatura

Os alunos da turma 106 de medicina da Universidade de São Paulo (USP) decidiram lançar uma vaquinha para tirar do papel a festa de formatura. O grupo sofreu um desvio de quase R$ 1 milhão da presidente da comissão de formatura, a jovem Alicia Dudy Muller, de 25 anos.

Os valores de doação partem dos R$ 5 reais e chegam aos R$ 9 mil, o que garante entrada na festa com mais sete pessoas. A turma não abre o valor arrecadado até agora nem quanto seria necessário para colocar o evento de pé. Nas redes sociais, algumas pessoas apoiaram a iniciativa.

Em comunicado divulgado com a abertura da vaquinha, o grupo de alunos afirmou ter percebido que "muitas pessoas começaram a se oferecer para doar parte do valor da formatura de bom coração". O texto diz que após "muitos pedidos como esse" os alunos decidiram arrecadar "algum valor, ainda que pequeno, para quem sabe voltar a pensar na formatura como algo possível de ser feito".

Eles ainda dizem que o dinheiro arrecadado, e que foi desviado pela colega de classe, "foi pago em parcelas ao longo de quatro anos e muitos colegas nossos e seus familiares se sacrificaram pela realização de ter uma festa de formatura." Ainda dizem que contavam com a modalidade da "adesão social", aos que desejavam se formar, mas não tinham como custear o valor.

Procurados, os formandos da turma 106 não quiseram falar. Também não foi possível o contato com o "Grupo Toy", responsável pela festa dos estudantes, caso ocorra.

Avanço das investigações

A investigação avançou para a avaliação dos dados que compreendem o sigilo bancário da estudante Alicia Dudy Muller. A Justiça autorizou a abertura dos dados das transações no fim da semana passada. Em depoimento, a jovem confessou ter feito as transações com os recursos que não lhe pertenciam e que aplicou o dinheiro em investimentos que deram errado. De acordo com a delegada do caso, Zuleika Gonzales, Alicia disse que aprendeu a aplicar o dinheiro sozinha, pesquisando na internet.

O caso do dinheiro desviado na formatura tornou-se público após a garota confessar que tinha perdido o investimento dos colegas em um grupo de WhatsApp com os formandos.

Antes do conflito público com os colegas, Alicia contava com um currículo de destaque, ao menos na área acadêmica. Em entrevista ao jornal da USP em 2018, ano em que ingressou na faculdade após três anos de cursinho pré-vestibular em uma das instituições mais renomadas do país, o Poliedro. Seu sonho, à época, era seguir na área de cirurgia.