Após idas e vindas, Musk fecha a compra do Twitter, dizem fontes

Após uma série de idas e vindas, Elon Musk fechou a compra do Twitter por US$ 44 bilhões (US$ 54,20 por ação), disseram fontes a par das negociações ao Insider. A saga, que se arrastava desde abril, chega ao fim às vésperas do prazo final dado pela Justiça americana, que se encerra nesta sexta-feira às 16h (pelo horário de Brasília).

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A rede CNBC, por sua vez, informou que o diretor executivo do Twitter, Parag Agrawal, deixou a empresa. Algumas fontes dizem que ele teria sido demitido por Musk. A negociação dos papéis do Twitter na Bolsa de Nova York estarão suspensas nesta sexta.

Segundo fontes, também sairão da empresa o diretor legal, Vijaya Gadde; o diretor financeiro, Ned Segal; e Sean Edgett, que atuava como conselheiro-geral do Twitter desde 2012. Em um dos documentos enviados às autoridades reguladoras sobre a oferta, Musk havia dito que não confiava na atual administração do Twitter.

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Esta semana, Musk havia assegurado a banqueiros de que conseguiria fechar a compra a tempo. Os bancos, que entram com US$ 13 bilhões para financiar a dívida, estão no processo de transferir os recursos.

Musk já vinha se “instalando” na empresa: esta semana, ele mudou a descrição de seu perfil na rede social para “Chief Twit” (um trocadilho entre Twitter e a palavra twit, bobo — que pode ser lido tanto como “Chefe do Twitter” como “bobo mor”), apareceu na sede da empresa na quarta-feira e nesta sexta vai falar com os funcionários.

Estilo errático

O bilionário tentou apaziguar os ânimos, negando que pretenda cortar 75% do pessoal e fechar o capital da empresa. Ele ainda divulgou uma mensagem aos anunciantes da plataforma, na qual afirma que o Twitter “não pode se transformar em uma balbúrdia infernal, onde qualquer coisa pode ser dita sem consequências!”

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Na mesma mensagem, Musk diz que decidiu comprar o Twitter “para tentar ajudar a Humanidade, que eu amo.”

Na quarta-feira, o bilionário chegou na sede do Twitter carregando uma pia de louça. Ele publicou um vídeo em seu perfil na plataforma com os dizeres “Let that sink in” — uma piada com sink, pia, e a expressão sink in, absorver.

O acordo põe fim a uma das maiores disputas empresariais dos Estados Unidos, além de trazer uma era de incerteza para a plataforma, que Musk diz querer revolucionar.

A proposta feita em abril estabelecia o preço de US$ 54,20 por ação do Twitter está determinado a obter.

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Os papéis do Twitter fecharam em alta de 0,66%, a US$ 53,70 — pouco abaixo do valor originalmente oferecido. No início de julho, quando Musk ameaçou desistir do negócio, a ação estava valendo 40% menos. Foi nessa ocasião que o Twitter decidiu levar à Justiça o dono da Tesla.

Ele usava como argumento para cair fora a falta de transparência sobre contas falsas na plataforma. Para o Twitter, isso não passava de uma desculpa em meio à queda generalizada dos mercados.

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Mas as idas e vindas do negócio e o estilo errático de Musk ainda deixavam alguns analistas de pé atrás, à espera de alguma surpresa de última hora.

— Tentar prever o que Elon Musk vai fazer é inútil — diz Jill Fisch, professora de Direito da Universidade da Pensilvânia.

‘Aplicativo para tudo’

Mais à frente, os planos do bilionário incluem a pulverização do capital do Twitter dentro de três a cinco anos, segundo fontes. Estes planos constariam de documentos enviados aos investidores.

Representantes do Twitter não quiseram comentar o assunto, e assessores de Musk não se pronunciaram.

Acionistas e funcionários aguardavam ansiosamente o desfecho da novela. No Twitter, a disposição para criar novos produtos está caindo, em meio à incerteza sobre como e quando Musk colocará em prática seus planos de “criar X, o aplicativo para tudo” — que seria uma versão americana do chinês WeChat.

Engenheiros da Tesla foram nesta quinta à sede do Twitter, possivelmente para ter acesso ao código-fonte da plataforma, segundo fontes.