Após início da CPI, TV Brasil 'esconde' vídeo sobre aplicativo que recomendava cloroquina

Daniel Gullino
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A TV Brasil tornou privado (ou seja, inacessível para outros usuários) um vídeo em seu canal no Youtube que divulgava o aplicativo TrateCov, lançado pelo Ministério da Saúde em janeiro e tirado do ar em seguida. O TrateCov será investigado na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia — nesta quinta-feira, foram aprovados dois requerimentos que citam o aplicativo.

A ferramenta, que deveria auxiliar médicos no diagnóstico e tratamento da Covid-19, recomendada o uso de cloroquina e hidroxicloroquina, entre outros medicamentos, para pessoas com perfis e sintomas diferentes, de bebês a adultos. Os remédios recomendados não tem eficácia contra o novo coronavírus, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).

A ação da TV Brasil foi apontada por Guilherme Felitti, fundador da Novelo Data, empresa que monitora o Youtube. De acordo com Felitti, o vídeo foi tornado privado na quarta-feira. Procurada para explicar a decisão, a Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), que gere a TV Brasil, ainda não respondeu.

A descrição do vídeo tornado indisponível ressaltava que o aplicativo foi lançado pelo ministério em Manaus, durante um colapso no sistema de saúde local. A atuação do ex-ministro Eduardo Pazuello no episódio, incluindo a promoção do TrateCov, é investigada pelo Ministério Público Federal (MPF).

"Diante do aumento no número de casos da Covid-19 em Manaus, o ministério da Saúde lançou, no Amazonas, um aplicativo para agilizar o atendimento de pacientes com sintomas da doença. É o TrateCOV, ferramenta desenvolvida por servidores do próprio ministério", dizia o texto no Youtube.

Um dos requerimentos aprovado na CPI, apresentado pelo senador Alessandro Vieira (Cidadania-Sergipe), pede a indicação dos responsáveis pela concepção e desenvolvimento do TrateCov , a disponibilização do seu código-fonte e de documentos preparatórios e a justificativa oficial do Ministério da Saúde para sua retirada do ar, ente outras informações.

O aplicativo também foi citado em outro requerimento, apresentado pelo relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL). Renan pediu acesso a "informações produzidas por aplicativos de informática como o TrateCov".