Após incêndio destruir oficina, angolano que mora na Vila Kennedy faz campanha para retomar trabalho

Gisele Barros
·2 minuto de leitura
Foto: Reprodução/Facebok/VOZ da Vila Kennedy

O angolano Maduma Antonio, de 47 anos, viu seu trabalho de duas décadas ser destruído por chamas na noite de quinta-feira (28). Morador da Vila Kennedy, na Zona Oeste do Rio, ele é mecânico e tinha a própria oficina na Avenida Etiópia. O incêndio destruiu todo o maquinário, as ferramentas e peças armazenadas no local e tirou o principal sustento da família. Após a tragédia, a mulher dele, Bárbara Barros, criou uma campanha para arrecadar fundos que permitam a retorno do marido ao trabalho.

— Foi necessário o trabalho de sete carros dos Bombeiros, que tiveram muita dificuldade para apagar as chamas. Nós só percebemos depois do que aconteceu que tentaram roubar a oficina. Entraram no local e havia cabos cortados, o que pode ter causado o incêndio. Agora estou no zero. Vi meu trabalho de 20 anos ser destruído. É triste demais — lamentou.

Maduma conta que pretendia iniciar cursos para os moradores da comunidade na oficina. Já havia comprado ferramentas extras para ensinar lanternagem, polimento, pintura e solda, tudo perdido nas chamas.

— Eu poderia estar em qualquer lugar do mundo, mas escolhi o Brasil. Vi aqui no Rio, na Zona Oeste, um povo humilde, um povo bom. Sempre devolvi parte do meu trabalho para a comunidade. Meu trabalho nunca foi só para mim, era para ajudar as pessoas. Eu realmente acredito que quando entregamos o bem, recebemos o bem de volta. Eu já havia ensinado a minha profissão para uma pessoa e hoje ela trabalha numa grande empresa. Queria fazer isso por outros, principalmente os jovens. É uma pena que não tenha acontecido do jeito que eu queria — disse.

A vizinhança já se mobilizou, e tem tentando ajudar Maduma com mantimentos e contribuições financeiras. Para quem quiser ajudar, basta fazer uma transferência para a conta poupança de número 00026163-2 na Caixa Econômica Federal no nome de Bárbara da Silva Barros. O número da agência é 0203 013.

— É muito difícil, mas tenho fé de que vou consegui recomeçar. Há pessoas interessadas em tentar ajudar, conhecer minha história. Iisso já é muito importante pra mim — ressaltou.