Após Macron, primeiro-ministro do Canadá diz que que é preciso agir pela Amazônia

***ARQUIVO***MANAUS, AM, 11/08/2018. Área de pasto queimado as margens da BR-319 próximo a Humaitá, AM. (Foto: Lalo de Almeida/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Horas após o presidente da França, Emmanuel Macron, afirmar que as queimadas na Amazônia geraram uma "crise internacional" e que discutirá o assunto no G7 -fórum do qual o Brasil não participa-, o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, também manifestou seu apoio à causa dizendo que é preciso "agir pelo planeta".

"Eu não poderia concordar mais, Emmanuel Macron. Fizemos muitos trabalhos para proteger o meio ambiente no G7 do ano passado, em Charlevoix, e precisamos continuar neste fim de semana. Precisamos de #ActForTheAmazon (agir pela Amazônia, em tradução livre) e agir pelo nosso planeta -nossos filhos e netos estão contando conosco", escreveu Trudeau ao republicar, na rede social Twitter, mensagem anteriormente escrita por Macron.  

Desde que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) contestou dados do desmatamento divulgados pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), o cuidado com a preservação da Amazônia tem sido destacado pela mídia estrangeira.

Com 72.843 focos de incêndio do início de janeiro até segunda-feira (19), o Brasil registra um aumento de 83% em relação ao mesmo período do ano passado. O fogo também avança sobre áreas protegidas. Somente nesta semana, houve 68 ocorrências dentro de terras indígenas e unidades de conservação estaduais e federal.

Mas foi nesta quinta-feira (22), com o tuíte de Macron, que o assunto ganhou ares de crise internacional. No Twitter, o francês afirmou que discutirá o caso no G7 (grupo que reúne Alemanha, Canadá, França, Estados Unidos, Itália, Japão e Reino Unido). "Membros do G7, vejo vocês em dois dias para falar sobre esta emergência", escreveu.

"Nossa casa queima. Literalmente. A Amazônia, o pulmão do nosso planeta, que produz 20% do nosso oxigênio, está em chamas", completou o presidente francês na publicação, que traz ainda uma foto com o fogo consumindo a floresta.

A imagem usada por Macron para falar sobre a disparada no número de queimadas na Amazônia, entretanto, não é atual. A foto foi feita pelo fotojornalista da National Geographic Loren McIntyre, que morreu em 2003, nos EUA.

McIntyre era um explorador que inclusive dá nome a uma das nascentes do Rio Amazonas, a Lagoa McIntyre, no Peru. 

Pouco depois ao tuíte de Macron, Bolsonaro reagiu às críticas de Macron e afirmou que a proposta do líder europeu de discutir a onda de queimadas na Amazônia na cúpula do G7 "evoca mentalidade colonialista descabida no século 21".

"Lamento que o presidente Macron busque instrumentalizar uma questão interna do Brasil e de outros países amazônicos para ganhos políticos pessoais. O tom sensacionalista com que se refere à Amazônia (apelando até para fotos falsas) não contribui em nada para a solução do problema", escreveu Bolsonaro em sua conta no Twitter, pouco depois de protagonizar uma live nas redes sociais sobre o assunto.