Após mercado reagir à PEC da Transição, Jaques Wagner diz que Lula não é 'extraterrestre': 'Já governou por oito anos'

O senador Jaques Wagner (PT-BA), um dos políticos próximos a Luiz Inácio Lula da Silva e cotado para cargos na Esplanada dos Ministérios, defendeu nesta quinta-feira o presidente eleito, que tem sido criticado após afirmar que "não adianta só ficar pensando em dado fiscal", mas "em responsabilidade social".

— Até estranhando por que tanta gente faz a mesma pergunta (sobre responsabilidade fiscal). Porque ele não é um extraterrestre, já governou por oito anos. Pelo que me consta, a responsabilidade fiscal sempre foi uma marca de todos os governos dele. Não acho que ele vá mudar isso — afirmou.

O mercado financeiro reagiu negativamente à fala de Lula e a apresentação da PEC da Transição — que abre espaço no orçamento de 2023 para as promessas de campanha do petista. Wagner disse que a responsabilidade fiscal foi marca dos governos Lula.

O senador disse ainda que o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) saberá encontrar o equilíbrio entre as contas públicas e atender questões sociais, em meio às discussões sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que abre um espaço de quase R$ 200 bilhões no Orçamento do próximo ano. Wagner disse também que o novo governo terá "criatividade" para criar novas receitas e que o governo de transição ainda está no início dos trabalhos e que as respostas surgirão em breve.

— Seguramente nós teremos criatividade para criar novas receitas para fazer. Agora, para encontrar novas receitas tem que estar disposto a ir procurar — disse.

O senador foi nesta quinta pela primeira vez ao Centro Cultural Banco do Brasil, sede do governo de transição, depois de voltar COP27, no Egito.

Wagner disse que a questão social é fundamental para o governo de Lula e que é possível atingir o equilíbrio entre as contas em dia e a responsabilidade fiscal.

— Ele não pode também deixar de ter um pouco ou muita coragem para cumprir a meta principal dele, que é a questão do social, da fome, das escolas, do emprego. É possível fazer isso equilibrado, como ele gosta de dizer “a gente pagou FMI, a gente fez superávit, agora eu não posso realmente ficar tutelado pelo mercado, o que não quer dizer que eu vou fazer loucura, eu vou fazer coisas equilibradas”. Mas, se não tiver ousadia, ele não vai governar — afirmou.