Após morte de Henry, Jairinho procurou delegado Marcos Cipriano, preso em operação do MP

Após a morte do enteado Henry Borel de Almeida, o médico e então vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, procurou o delegado Marcos Cipriano — preso nesta terça-feira, dia 10, na Operação Calígula, do Ministério Público do Rio — por pelo menos 42 vezes. O ex-parlamentar enviou mensagens e realizou ligações por aplicativo para o telefone celular do policial nas semanas seguintes ao crime, chamando-o de “amigo”. As informações constam no conteúdo recuperado em dois aparelhos apreendidos pela Polícia Civil e que constam no processo no qual ele é réu pelos crimes de tortura e homicídio praticados contra o menino, na madrugada de 8 de março do ano passado.

Nas mensagens, às quais o EXTRA teve acesso, Jairinho aciona Marcos inicialmente na manhã em que ele levou Henry, com a então namorada, a professora Monique Medeiros da Costa e Silva, ao Hospital Barra D’Or. A informação foi divulgada pelo site da Revista Veja. Nas mensagens, os dois sempre se cumprimentam como “irmãos” e parecem combinar um encontro. Atualmente, eles estão na Cadeia Pública Pedrolino Werling de Oliveira, no Complexo de Gericinó, também na Zona Oeste do Rio.

Naquela mesma manhã, Jairinho também fez contato com o executivo Pablo Menezes, vice-presidente de operações e relacionamento da Qualicorp e conselheiro no Instituto D’Or de Gestão de Saúde. Ao advogado, o ex-vereador tentou impedir que o corpo de Henry fosse encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML), onde o laudo de exame de necropsia acabou apontando hemorragia interna e laceração hepática provocada por ação contundente, além de equimoses, hematomas, edemas e contusões incompatíveis com um acidente doméstico.

Dias após a morte da criança, Jairinho também chegou a ligar para o governador Claudio Castro. No telefone, o ex-parlamentar teria dado a mesma versão que apresentou na 16ª DP (Barra da Tijuca), onde narrou que, ao acordar naquela madrugada, o enteado já estava caído no quarto, com pés e mãos geladas e os olhos arregalados. O governador teria respondido que a Polícia Civil investigar o ocorrido e que não se meteria no assunto.

De acordo com o Ministério Público, Marcos Cipriano e os 11 demais atuavam em uma rede de jogos de azar comandada pelo bicheiro Rogério de Andrade e pelo PM reformado Ronnie Lessa — réu pela morte da vereadora Marielle Franco e de seu motorista Anderson Gomes — e acobertada por policiais.

Segundo as investigações, o delegado teria intermediado um encontro entre Ronnie Lessa, a também delegada Adriana Belém e o inspetor de polícia Jorge Luiz Camilo Alves, culminando em acordo que viabilizou a retirada em caminhões de quase 80 máquinas caça-níquel apreendidas em casa de apostas da organização criminosa, tendo o pagamento da propina sido providenciado por Rogério de Andrade.

Em nota, a defesa do delegado diz que sua prisão “é absolutamente desnecessária e afrontosa à legislação, que exige que os fatos sejam contemporâneos”. Os advogados disseram ainda que “causa estranheza uma prisão ser decretada por fatos ocorridos em 2018” e que "sua inocência será provada na Justiça”.

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