Após morte de menina, carros alegóricos deixam a dispersão escoltados em desfile do Grupo Especial

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Ao contrário do que ocorreu nos dois dias de desfile da Série Ouro, as apresentações do Grupo Especial começaram com mais organização e segurança na dispersão das agremiações. Na última quarta-feira, Raquel Antunes da Silva, de 11 anos, ficou presa entre um carro alegórico e um poste no momento em que a escola Em cima da hora deixava a Sapucaí. A gravidade dos ferimentos levou a menina à morte no início da tarde desta sexta. O caso gerou uma decisão judicial que impõe a necessidade de escolta para todos os carros que passam pela dispersão, medida que não foi cumprida no segundo dia da Série Ouro.

Nesta sexta, dezenas de homens da equipe de apoio e de segurança da Imperatriz Leopoldinense, primeira escola a entrar na Avenida, acompanhavam os veículos após o fim do desfile. No entorno dos carros alegóricos, os funcionários impediam a aproximação de pedestres e crianças, de modo a evitar novos acidentes.

— Tivemos orientação da escola para guiar os carros, para não acontecer o que aconteceu com a menina na quarta-feira — resumiu um dos integrantes da escolta ao GLOBO.

Equipes da Polícia Militar e da Guarda Municipal também observavam a movimentação na saída do Sambódromo. O reforço no policiamento foi mais uma medida imposta pela Justiça.

Mais cedo, a Secretaria de Estado de Polícia Militar informou, por nota, que cumpriria a determinação judicial ordenando que carros da corporação fiquem nas vias da dispersão dos carros alegóricos. A PM afirmou ainda que as ruas do trajeto das alegorias já contam com o policiamento reforçado, de quarta-feira (dia 20) à madrugada de segunda-feira (dia 25).

Na segunda noite de desfiles da Série Ouro, espécie de segunda divisão da folia carioca, o cenário era diferente, sem qualquer controle na dispersão. Horas antes do início das apresentações, o juiz da 1ª Vara da Infância, da Juventude e do Idoso da Capital, Sandro Pitthan Espíndola, havia determinado que os carros seguissem com escolta adequada até a chegada aos barracões. Não ficou claro, porém, se os envolvidos no trajeto já estavam formalmente notificados àquela altura.

— Só o pessoal que toma conta dos carros é que está ajudando a retirá-los, não mudou nada. Não vi nenhum órgão do estado — disse, na ocasião, a aposentada Edite Lins de Oliveira, de 65 anos, que mora no Estácio há 30 e viu o momento em que Raquel foi atingida.

O objetivo da decisão, como destacou Espíndola, era evitar que crianças e adolescentes subissem nos carros alegóricos. Foi exatamente essa prática que, segundo testemunhas, teria causado a tragédia envolvendo a menina.

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