Após mortes no Vidigal, traficantes da Rocinha estariam negociando volta de facção de Nem

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Policiais da 15a DP (Gávea) investigam se, após a morte de criminosos do Vidigal que estariam praticando roubos em bairros da Zona Sul do Rio, traficantes da Rocinha e que pertencem a maior facção criminosa do Rio estariam conversando com bandidos ligados a Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, e que atuam em um grupo rival. A negociação seria no intuito de mudar o controle da venda de drogas na Rocinha, o que aumentaria o risco de invasões nessas duas comunidades.

De acordo com as investigações, John Walace da Silva Viana, o Johnny Bravo, chefe do tráfico de drogas da Rocinha, determinou a execução de três criminosos do Vidigal, na madrugada do último domingo, dia 9. Nerversino de Jesus Garcia; Diego Reis Ferreira, o Marcha Lenta; e Robert Fernandes da Silva, o Poodle, teriam sido esquartejados e queimados na parte alta da comunidade. Até o momento, entretanto, nenhum dos corpos foi localizado, mas o policiamento foi reforçado na região.

O inquérito aponta que os homicídios só fizeram aumentar o clima de desconfiança entre os grupos da mesma facção. Como a Rocinha é utilizada por diversos chefes do grupo criminoso como local de refúgio, esses traficantes costumam frequentar a favela com toda a sua escolta e armamento pesado. Essa proximidade de bandidos armados combinada a desconfiança mútua entre eles estaria transformando a comunidade em um palco perfeito para o início de uma guerra interna.

A decisão de matar Nerversino, Diego e Robert foi motivada pela insatisfação de Johnny Bravo com a criação de um núcleo de roubos na parte baixa do Vidigal incentivada pelo primeiro. O criminoso teria entendido que, por ser um dos mais antigos da facção e ter nascido na comunidade, não deveria se submeter a ordens dadas pelo bandido da Rocinha, que proibiu crimes próximos as favelas.

Garcia tem mandado de prisão pelos crimes de homicídio, tráfico de drogas e associação para o tráfico. Ele foi o responsável por comandar a invasão ao Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro da cidade, em 2016, e resgatar o traficante Nicolas Labre Pereira de Jesus, o Fat Family. Cerca de 15 homens armados participaram da ação, que deixou um paciente morto e um funcionário ferido.

Já Johnny Bravo é apontado como chefe do tráfico de drogas na Rocinha desde a invasão ocorrida da comunidade após divergências entre Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157, e o Nem da Rocinha. Em um vídeo divulgado nas redes sociais em setembro de 2020, ele aparece em um baile funk cercado por mais de 20 criminosos armados de fuzis. Contra o bandido, constam seis mandados de prisão preventiva em aberto.

Procurada pelo Globo, a Polícia Militar informou que a Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP) e as Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) Vidigal e Rocinha intensificaram o policiamento ostensivo nas duas comunidades, “devido aos relatos iniciados na madrugada do dia 09/01 a respeito de possível movimentação criminosa”. “Até o momento, não há ocorrência de encontro de cadáver”, disse, em nota.

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