Após negativa de museu, hotel na Times Square deve sediar evento com Bolsonaro

MARINA DIAS

WASHINGTON (FOLHAPRESS) - Após o Museu Americano de História Natural em Nova York se recusar a sediar um evento em homenagem a Jair Bolsonaro, o hotel New York Marriott Marquis aceitou receber o jantar de gala que vai dar o título de Pessoa do Ano para o presidente brasileiro.

Em 14 de maio, o hotel na Times Square, um dos mais populares pontos turísticos de Nova York, deve ser o ambiente para a celebração organizada pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos.

O hotel confirmou à reportagem a reserva do espaço pela câmara para a noite do próximo dia 14.

Além de Bolsonaro, o evento vai homenagear o secretário de Estado do governo americano, Mike Pompeo.

Na semana passada, o Museu de História Natural havia divulgado nota para dizer que a reserva de seu espaço foi feita antes de ser informado que o presidente brasileiro era um dos homenageados e que o perfil de Bolsonaro não refletia as posições da instituição.

"Estamos profundamente preocupados, e o evento não reflete de nenhuma maneira a posição do museu de que há uma necessidade urgente de conservar a Floresta Amazônica, que tem profundas implicações para a diversidade biológica, comunidades indígenas, mudanças climáticas, e o futuro saudável do nosso planeta", dizia o texto.

O prefeito de Nova York, o democrata Bill de Blasio, por sua vez, pediu ao museu que não recebesse Bolsonaro e criticou o que considera posições homofóbicas e racistas do brasileiro, além de seu discurso sobre a Amazônia.

A partir de então, o Cipriani Hall, em Wall Street, passou a ser cotado como opção para sediar o evento mas, com a pressão do prefeito e dos ativistas ambientais, também se recusou a receber a festa.

Bolsonaro e seus principais auxiliares têm um discurso considerado controverso sobre aquecimento global e a necessidade de preservação do meio ambiente. 

O ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente), por exemplo, disse que a discussão sobre aquecimento global é inócua e secundária, enquanto Ernesto Araújo (Relações Exteriores) já classificou o debate como "trama marxista".

A premiação organizada pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos é concedida há 49 anos e tem objetivo de reconhecer sempre dois líderes, um brasileiro e um americano, que trabalham pela aproximação e relação entre os dois países.

O jantar costuma ter cerca de mil convidados, com entradas ao preço individual de US$ 30 mil (cerca de R$ 118 mil). 

Aliados de Bolsonaro nos EUA já preparam um roteiro da viagem do presidente ao país para receber a homenagem.

Querem que, além do jantar, ele participe de outros compromissos na cidade, mas nada ainda foi fechado.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, também deve estar entre os dias 13 e 14 de maio em Nova York para uma palestra a empresários e investidores.