Após nomeação na Funarte, Regina se reúne com Bolsonaro nesta quarta

Naira Trindade
A secretária especial da Cultura, Regina Duarte

BRASÍLIA - A secretária Especial de Cultura, Regina Duarte, vai se reunir com o presidente Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto nesta quarta-feira, um dia após a recondução - sem o consentimento dela - do maestro Dante Mantovani para o comando da Funarte.

Na agenda com o presidente, Regina Duarte pretende apresentar seu plano de comunicação para Cultura. A aliados, a secretária diz que vai aproveitar a conversa com “seu presidente”, “seu líder", como costuma chamar Bolsonaro, para entender “as razões dele” de nomear novamente Mantovani para a Funarte.

O presidente da Funarte é um dos nomes mais controversos da gestão de Roberto Alvim na Secretaria especial da Cultura. Ele foi demitido por Regina no mesmo dia em que foi empossada secretária de Cultura. Interlocutores do Planalto associam seu retorno a uma indicação do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do presidente, e também a uma retomada de poder da ala ideológica, ligada a Olavo de Carvalho.

A aliados, Regina demonstrou surpresa com a nomeação do maestro, publicada no Diário Oficial da União desta terça-feira. Ela afirmou não ter sido consultada pelo ministro-chefe da Casa Civil, Braga Netto, ou por Bolsonaro sobre a Funarte. Foi Braga Netto que assinou a nomeação de Mantovani.

A avaliação no Palácio do Planalto é de que Bolsonaro anda incomodado com algumas nomeações de Regina Duarte na Cultura. Porém, aliados do presidente afirmam que ele não estaria disposto a arcar com o desgaste da demissão da ex-atriz global neste momento, após as saídas de dois ministros populares do governo. Entre as insatisfações apontadas por aliados de Bolsonaro com o trabalho de Regina, estão críticas às políticas de audiovisual e também com algumas nomeações consideradas de profissionais ligados à esquerda. A secretária e sua equipe vêm sendo atacada também nas redes sociais por militantes bolsonaristas.

Na semana passada, o presidente reclamou a jornalistas no Palácio da Alvorada da ausência da secretária em Brasília. Questionado, Bolsonaro afirmou que Regina “estava lá, trabalhando pelo internet" e que gostaria que ela estivesse "mais próxima".

- Infelizmente, a Regina está trabalhando pela internet ali e eu quero que ela esteja mais próxima. Uma excelente pessoa, um bom quadro, é também uma secretaria que era ministério, muita gente de esquerda, pregando ideologia de gênero, essas coisas todas que a sociedade, a massa da população não admite, e ela tem dificuldade nesse sentido - disse Bolsonaro.