Após nomeação de presidente do Iphan, entidades esperam indicações técnicas para superintendências

Nomeado para a presidência do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) nesta terça-feira (10), o ex-deputado distrital Leandro Grass aparecia, desde a semana passada, como o nome mais cotado para o cargo. Filiado ao Partido Verde, Grass é o primeiro nome da sigla a ocupar um cargo no governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na semana passada, dirigentes do PV encaminharam ao ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, uma relação de nomes, incluindo Grass, para fazer parte do Executivo.

Também na última semana, o Fórum de Entidades em Defesa do Patrimônio Cultural Brasileiro questionou uma possível indicação política para o órgão, em carta entregue ao Ministério da Cultura. Titular da pasta, a cantora Margareth Menezes disse à coluna de Bernardo Mello Franco que iria analisar o documento antes de tomar a decisão.

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O manifesto foi assinado por 21 das 25 instituições que compõem o Fórum, entre elas a Associação Brasileira de Antropologia (ABA), o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), o Comitê Brasileiro do Conselho Internacional de Museus (Icom-BR), a Associação dos Servidores do Ministério da Cultura (ASMINC), e a Associação Brasileira de Gestão Cultural (ABGC ). No texto, as entidades salientam que "no presente contexto de definição da presidência do IPHAN, que se torna fundamental que seja revisto o modo como se dá essa escolha, não só da presidência, mas também de suas diretorias, superintendências estaduais e escritórios técnicos; nestes dois últimos, os critérios devem incluir além de conhecimentos técnicos, também conhecimentos do território, das assimetrias e das desigualdades regionais e locais, não se restringindo a aspectos partidários".

Conselheira do IAB e coordenadora do Fórum, Inês Martina Lersch adianta que há uma reunião do grupo previamente agendada para amanhã e que a nomeação para o Iphan deverá entrar na pauta.

— O principal agora é que as indicações para as superintendências sigam critérios técnicos. Exatamente como colocamos na carta, é importante manter a especificidade dessas dimensões técnicas, no que diz respeito à preservação do patrimônio material e imaterial brasileiro — comenta Lersch. — A reunião também marca o início das atividades de 2023, dentro de um movimento de apresentar o Fórum à presidência, mostrando a história desses três anos de luta desde a sua criação, em 2019.

Preocupação com o patrimônio destruído em Brasília

Desde as invasões golpistas ao Palácio do Planalto, ao Congresso e ao STF, no domingo, o Fórum já publicou dois textos. No último, intitulado "Restaurar o patrimônio destruído é reafirmar o Estado Democrático de Direito", o grupo se coloca "à disposição do Poder Público para auxiliar no imenso desafio de avaliar os danos e restaurar os bens culturais danificados ou destruídos na lamentável investida contra o Estado Democrático de Direito ocorrida na Praça dos Três Poderes, em Brasília, na tarde do último domingo".

Candidato a governador do Distrito Federal em 2022, com apoio do PT, e derrotado pelo governador afastado por 90 dias, Ibaneis Rocha (MDB), Grass também afirmou que a prioridade do Iphan, no curto prazo, seria a recuperação de obras e patrimônio danificados ou destruídos por golpistas que invadiram as sedes dos três poderes em Brasília, no domingo:

— Nossa primeira preocupação é recuperar as obras, os monumentos e o que mais houver de dano causado pelos atos terroristas desse domingo. Além das edificações, foram destruídas obras de Marianne Peretti, Di Cavalcanti e Alfredo Ceschiatti, que fazem parte do valoroso acervo da nossa capital. Um prejuízo incalculável.

Sociólogo, o deputado também é mestre em Desenvolvimento Sustentável pela Universidade de Brasília (UnB), Gestor Cultural pela Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI) e ex-pesquisador do Observatório de Políticas Públicas Culturais da Universidade de Brasília (OPCULT/UnB). Durante seu mandato na Câmara Distrital, uma de suas bandeiras era a Cultura e o Patrimônio Histórico da capital.

Além do presidente, a ministra da Cultura nomeou para a direção do Departamento de Patrimônio Material e Fiscalização o professor na UnB Andrei Rosenthal Schleed, doutor em Arquitetura e Urbanismo pela USP, que, entre 2011 e 2019, já havia ocupado o mesmo cargo. Também foi nomeado o historiador e servidor do Iphan Deyvesson Gusmão para o Departamento de Patrimônio Imaterial do Instituto. Mestre em Geografia pela Universidade Federal de Rondônia, Gusmão atua no órgão desde 2009, e já foi Superintendente do Iphan no Acre.