Após novo decreto, ambulantes voltam às praias do Rio e lamentam prejuízos

Diego Amorim
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Após seis dias proibidos de trabalharem, ambulantes e barraqueiros fixos puderam voltar nesta sexta-feira, dia 12, para as praias do Rio. Segundo o novo decreto da prefeitura, que está em vigência até o próximo dia 22, o atendimento pode acontecer até as 17h. Neste primeiro dia, eles comemoraram a possibilidade de retorno ao trabalho, mas lamentaram o tempo que precisaram ficar afastados das areias e dos clientes.

— Foi muito difícil ficar todos esses dias sem trabalhar. Eu dependo desse serviço para criar meus três filhos, pagar o meu aluguel — diz o ambulante Claudio Cesar, 44, ambulante há 20 anos nas praias do Rio. — Eu calculo um prejuízo de R$ 1 mil só nesses últimos seis dias sem trabalhar.

Ele aponta outro fator que contribuiu para a redução das vendas durante a pandemia.

— Boa parte das vendas são para turistas, que deixaram de visitar a nossa cidade. Os banhistas locais não compram muito, eles acham caro pagar R$ 60 em um biquíni.

O ambulante Robson dos Santos, de 35 anos, é vendedor de mate há 18 anos e nunca viu crise como essa. Nesta sexta-feira, de volta à praia, ele reencontrou muitos clientes que estavam saudosos.

— Ontem (quinta-feira) eu estava aqui e fiquei desesperada de vontade de tomar um mate gelado e não tinha. Eles fazem muita falta. Se tem banhista, por que não ter ambulantes também, claro que dentro das regras de proteção, com máscaras e álcool bem gel — questiona a garçonete Maria Clara de Paula, de 23, que costuma ir à praia cerca de três vezes na semana.

Aos 53 anos e trabalhando há 15 na praia, o vendedor Alexandre Cristino diz que as dívidas duplicaram após a pandemia.

— Temos que ter nosso alimento em casa. Para quem tem renda variável, como nós, a pandemia foi cruel demais. Já tive dias sem vender nadinha. As minhas dívidas duplicaram, fiquei sem ter como pagar as contas e só vendo elas aumentarem dia após dias. Isso é triste demais para um pai de família que precisa sustentar a casa.

Trabalhando há 22 anos como barraqueiro em Copacabana, Arildo Matos Falcão, de 55 anos, conta que o importante, agora, é estar com saúde e torcer pelo futuro. De acordo com ele, as vendas chegaram a cair até 95% em comparação com 2019, antes da Covid-19. Para tentar atrair mais clientes, Falcão tem criado promoções.

— Estamos aqui na expectativa, se Deus quiser, de em breve voltar a trabalhar com carga total. As vendas caíram demais. Nós estamos no segundo verão da pandemia. É uma perda enorme. Eu venho tentando algumas promoções, como a redução do preço de aluguel das cadeiras e barracas. Caipirinhas também estão em promoção. Comprando uma de 500 ml ganha outra de 300 ml. São tentativas, né?! — detalha ele.

A prefeitura não restringiu banho de mar ou permanência na areia, seja para banho de sol, seja para exercícios físicos. Os quiosques da orla, que também estavam proibidos de abrir seguirão as regras de restaurantes e podem funcionar até 21h. Já ambulantes e barraqueiros fixos na areia podem fazer atendimento até as 17h.

— O prejuízo chegou a R$ 30 mil, porque tem o fim das vendas e os funcionários parados, mas as contas de aluguel, luz e água não param de chegar. Hoje, nós não ganhamos para manter o quiosque em pé. Nunca vi meses tão ruins como esse. Se fechar novamente, vamos ter que fechar de vez, infelizmente — diz João Ferreira, 68, gerente de um quiosque no Posto 1. — Somando, já fiquei cinco meses fechado. De 13 funcionários, hoje temos só cinco.

A concessionária Orla Rio informa que, em contato com a Prefeitura do Rio durante esta semana, "mostrou a importância de quiosques receberem mesmo tratamento de bares e restaurantes, reforçando ainda uma vantagem que eles têm de estarem ao ar livre e serem mais adaptados ao enfrentamento do vírus que alguns locais".

— Uma injustiça reparada. Agora, estamos orientando nossos operadores a seguirem todas as regras estabelecidas para que possam manter os serviços funcionando, entregando com qualidade e, mais do que nunca, preservando a saúde de todos. Nós vamos aumentar a fiscalização para evitar qualquer tipo de aglomeração, e contamos com a ajuda da população — afirma João Marcello Barreto, presidente da Orla Rio.

Com o novo decreto, 309 quiosques que são administrados pela Orla Rio, entre o Leme e o Pontal, terão rondas, de domingo a domingo. Além disso, existe um canal no WhatsApp (98221-2089), reconhecido pelo Centro de Operações Rio (COR), para que a população envie fotos caso se depare com irregularidades na operação de quiosques, principalmente aglomerações.

Além disso, a Orla Rio realizará blitz, já neste fim de semana, de conscientização para informar sobre as regras de prevenção da Covid-19, como o uso da máscara, a higienização frequente das mãos e a necessidade de manter o distanciamento, evitando aglomerações. A iniciativa terá a ajuda dos personagens Carioca Sangue Bom e Zé Furada, criados durante o Projeto Recomeço, para reforçar as boas práticas de forma lúdica e criativa.