Após o assassinato de guajajaras, Moro manda Força Nacional atuar em terra indígena

O ministro da Justiça, Sergio Moro, discursa em seminário

BRASÍLIA - Após o assassinato de três indígenas guajajara em pouco mais de um mês, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, autorizou o emprego da Força Nacional de Segurança Pública na terra indígena Cana Brava Guajajara, no Maranhão, por 90 dias. A portaria foi assinada no começo da tarde desta segunda-feira.

Os efeitos da medida começam a valer a partir de amanhã. Integrantes da Força Nacional ainda não chegaram à terra indígena. Eles devem permanecer no local até 8 de março de 2020. Os agentes devem dar apoio à Fundação Nacional do Índio (Funai) em ações de segurança pública, de forma a garantir a "integridade física e moral dos povos indígenas, dos servidores da Funai e dos não índios", conforme o texto da portaria.

A Polícia Federal (PF) em São Luís informou que um inquérito policial foi instaurado no sábado para investigar o assassinato dos dois guajajara e o ferimento a outros dois, em Jenipapo das Vieiras (MA). Policiais federais foram enviados para a região do crime.

Segundo um comunicado da PF, "até o momento não foram encontrados indícios de vínculos entre os crimes e atritos entre indígenas e madeireiros". Também não há, até então, relação entre o duplo homicídio e o assassinato do índio Paulo Paulino Guajajara e do caçador Márcio Gleyck Pereira, conforme a PF.

O atentado a tiros ocorreu no último sábado na BR-226, entre as aldeias Boa Vista e El Betel, em Jenipapo dos Vieiras, cidade a 506 km de São Luís. As vítimas que morreram foram identificadas como Firmino Silvino Guajajara e Raimundo Bernice Guajajara.

Em um vídeo publicado nas redes sociais, um dos índios feridos conta que ele e Firmino seguiam em uma motocicleta quando foram surpreendidos por dois tiros disparados por ocupantes de um veículo de cor branca. Durante a tarde, índios Guajajara fizeram um protesto e bloquearam a BR-226.

Há pouco mais de um mês, outro indígena da etnia Guajajara foi assassinado no Maranhão. O líder e integrante do grupo Guardiões da Floresta, Paulo Paulino Guajajara, foi morto durante uma emboscada na Terra Indígena Arariboia, na região de Bom Jesus das Selvas. No mesmo episódio, o líder indígena Laércio Souza Silva ficou ferido. A investigação ficou a cargo da PF.