Após ossada em rio, famílias dos meninos sumidos na Baixada estão ‘resistentes em acreditar’ que investigação está perto do fim

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Na manhã desta sexta-feira, 30, restos de uma ossada foram encontrados dentro de um saco plástico no Rio Botas, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, por bombeiros, onde mergulhadores faziam buscas pelos meninos desaparecidos desde dezembro na região. Trata-se de pedaços de uma coluna e fios semelhantes a cabelo. Não se sabe se o material é humano ou animal, ele ainda será analisado em um laboratório da Polícia Civil. Enquanto isso, a família de Lucas Matheus, de 9 anos, Alexandre Silva, de 11 e Fernando Henrique, de 12, segue acreditando que eles estão vivos, e que as ossadas encontradas nada têm a ver com os meninos.

As mães dos meninos e a avó de dois deles nem quiseram participar das buscas. Segundo a defensora pública Gislaine Kepe, do Núcleo de Direitos Humanos da Defensoria Publica, as famílias acreditam que os meninos ainda estão vivos.

— As famílias não quiseram acompanhar porque estão resistentes em acreditar que esta possa ser a finalização da investigação deste caso, assim como nós da Defensoria Pública e da Ordem dos Advogados do Brasil (Belford Roxo) — disse Gislaine Kepe.

Na véspera do trabalho de buscas, Silvia Regina, a avó de dois dos três meninos desaparecidos, já havia demonstrado incredulidade sobre a nova versão apresentada pela testemunha sobre o que teria acontecido com as três crianças.

— Como que uma pessoa pega três corpos em sacos sem saber do que se trata? Criança pesa, ainda mais três. E os corpos não subiram depois, ninguém viu? É um relato muito estranho, parece inventado. Estão tentando despistar a polícia — disse Silvia Regina ao EXTRA, antes de continuar: — Para mim, ele estão vivos. Isso é história pra boi dormir.

Bombeiros e policiais da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) vasculharam o Rio Botas, entre os Bairros de São Bernardo e Recantus, depois que uma testemunha apontou o próprio irmão como sendo o responsável por jogar no local sacos entregues por traficantes, onde estariam os corpos dos três meninos. Caso a análise preliminar dos ossos encontrados aponte tratar-se de material humano, os restos serão confrontados por exame de DNA com amostras cedidas pela família dos garotos.

— Será encaminhado (material) ainda hoje (ontem) para o laboratório da Polícia Civil. Por conta do nível de decomposição, não dá para determinar, numa análise visual, se é material humano ou não. Foram encontrados alguns ossos, e a gente não sabe precisar quais partes eles representam. São semelhantes a coluna e costela. Vamos para a análise para saber se é material humano. Encontramos também alguns fios que podem ser de cabelo. A gente vai fazer uma comparação com o DNA da família das crianças e também com o que tiver de material dos meninos — disse o perito Arthur Couto.

O trabalho de buscas começou às 10h de ontem e foi acompanhadas por dezenas de curiosos. Três equipes do Corpo de Bombeiros, incluindo mergulhadores do Grupamento de Busca e Salvamento, e cerca de 20 policiais da DHBF vasculharam um trecho do Rio Botas, localizado próximo a uma ponte que serve de divisa dos bairros de São Bernardo e Recantus.

Segundo a testemunha que denunciou o próprio irmão como sendo um dos responsáveis pelo sumiço de Lucas, Alexandre e Fernando, o local foi onde seu familiar e homens do tráfico do Morro do Castelar, em Belford Roxo, teriam jogado os corpos das crianças em sacos plásticos. Durante os trabalhos de ontem, que duraram até as 12h30, bombeiros usaram um garateia para vasculhar o fundo do rio. A ferramenta em forma de âncora acabou puxando o saco onde estava guardada parte da ossada.

De acordo com Gislaine Kepe, a Defensoria Pública vai acompanhar os exames de confronto de DNA com material cedido pela família dos meninos, caso se confirme que a ossada encontrada seja oriunda de material humano e não de origem animal.

— Vamos acompanhar o exame da ossada. Esta diligência é imprescindível e prioritária para o deslinde (desfecho) deste caso com certeza — disse Gislaine Kepe.

O suspeito que foi denunciado pelo irmão prestou depoimento na quarta-feira, na DHBF. Ele negou o crime, mas admitiu ter jogado no rio sacos que foram entregues por traficantes. Também alegou que não sabia o conteúdo dos invólucros. O delegado Uriel Alcântara chegou a solicitar a prisão do homem, mas o pedido foi indeferido pela Justiça.

Já de acordo com o depoimento do denunciante, os meninos teriam sido espancados e mortos a mando do traficante José Carlos dos Prazeres Silva, conhecido como Piranha, que tem a prisão decretada por tráfico. O motivo do crime, segundo ele, seria que uma das crianças estaria envolvida no furto de uma gaiola de passarinho.

Lucas Matheus, Alexandre Silva e Fernando Henrique sumiram no dia 27 de dezembro do ano passado. Eles foram vistos pela última vez em uma feira do bairro Areia Branca, em Belford Roxo. Moradores do Morro do Castelar, localidade em que Piranha controlaria o comércio de drogas, os três meninos ainda foram flagrados por uma câmera de segurança quando estavam a caminho da feira.

Pelo menos duas testemunhas também afirmaram, ao prestar depoimento na DHBF, terem os visto os garotos no local. A polícia trabalha com a hipótese de que os meninos tenham desaparecido logo após saírem da feira ou nas proximidades da comunidade em que moravam.

O homem que teria jogado os corpos de três meninos em um rio teve um encontro com traficantes em um bar, no Morro do Castelar, em Belford Roxo, no dia em que as crianças desapareceram. De acordo com o depoimento prestado pelo irmão do suspeito na Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), os dois estavam em um bar quando um bonde de carros com traficantes parou no local e chamou um deles para uma missão. A testemunha contou que o irmão saiu com os bandidos e voltou uma hora e meia depois.

Após alguns dias, o irmão teria contado à testemunha que a tarefa dada por homens do tráfico era a de ajudar a desaparecer com os corpos das três crianças.

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