Após passar cinco meses em aeroporto, professora da Bahia recebe ajuda com vaquinha virtual e apoio da Defensoria Pública

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A professora de língua portuguesa Oceya de Souza, de 55 anos, passou os últimos cinco meses abrigada no Aeroporto Internacional Luís Eduardo Magalhães, em Salvador, na Bahia. Sem recursos financeiros para arcar com o aluguel, viveu no local tentando deitar nas cadeiras e dormia até nos trocadores de fraldas dos banheiros. O caso foi revelado pelo site "Uol" no último dia 29. Após a repercussão, uma vaquinha virtual foi organizada para ajudar a educadora, que também passou a receber apoio da Defensoria Pública do Estado.

Graduada em Letras, Oceya deu aulas no Colégio Estadual Thales de Azevedo, onde trabalhou até ter sido diagnosticada com fibromialgia, doença caracterizada por dores crônicas. Ela conta que a solicitação de aposentadoria junto à secretaria de Educação do Estado não foi aceita e acabou sem renda.

A professora foi diagnosticada com Covid-19 em maio de 2020, quando foi internada e recebeu uma ajuda de custo, que lhe deu a possibilidade de alugar um quarto por alguns meses. Ela não teve acesso ao auxílio emergencial e a empréstimos por ainda estar vinculada à secretaria de Educação.

— Após sair do hospital fui encaminhada para serviços da prefeitura, mas ao fazer entrevistas para abrigos, ouvi que eu não tinha perfil para ficar nas vagas que existiam. Aí decidi ir para o aeroporto — contou Oceya à Defensoria.

A primeira reunião com defensores foi realizada de forma remota na terça-feira (4). Participaram do atendimento as coordenadoras da Especializada de Direitos Humanos Lívia Almeida e Eva Rodrigues e o defensor público Virdálio de Senna Neto, coordenador da Especializada de Fazenda Pública.

Segundo Lívia Almeida, a primeira questão já resolvida foi fazer a ponte entre Oceya e a equipe de abordagem social da Secretaria Municipal de Promoção Social, Combate à Pobreza, Esportes e Lazer. A Pasta já foi comunicado sobre o caso e o primeiro atendimento foi marcado para esta semana. O próximo passo é trabalhar no vínculo com a secretaria de Educação.

— Vamos começar a analisar o caso dela do início ao fim. Tem muita coisa a ser vista como processos administrativos e documentos da junta médica. Vamos fazer esse levantamento, pois não será uma coisa tão imediata — ressaltou o defensor Virdálio de Senna Neto em comunicado.

A professora agora está segura. Foi acolhida por colegas e ex-alunos e está hospedada em um hotel no Centro da capital baiana, onde também recebeu atendimento médico e doações de todo o Brasil. Os organizadores da plataforma Razões para acreditar, por meio da vaquinha Voaa, organizaram uma campanha de arrecadação para a educadora. Até o momento, 1.863 pessoas já participaram, doando mais de R$ 87 mil. Contribuições podem ser feitas neste link: https://voaa.me/professora-aeroporto.

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