Após perder eleições, Keiko Fujimori enfrenta a justiça no Peru

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A ex-candidata à Presidência e líder da oposição de direita peruana Keiko Fujimori (AFP/Janine Costa)
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Um tribunal peruano realizará nesta terça-feira uma audiência preliminar do aguardado julgamento da ex-candidata presidencial e líder opositora de direita Keiko Fujimori, que pode ser condenada a 30 anos de prisão por suposta lavagem de dinheiro e outras acusações de corrupção.

A filha mais velha do ex-presidente Alberto Fujimori, que está na prisão, volta ao primeiro plano judicial quase três meses depois do segundo turno no qual esteve prestes a conquistar a Presidência, o que lhe teria dado a imunidade para evitar o processo e adiá-lo nos cinco anos do mandato.

Em 11 de março, o promotor José Domingo Pérez pediu à justiça que a líder populista seja condenada a 30 anos e 10 meses de prisão pelo escândalo de corrupção da gigante brasileira da construção Odebrecht, que também salpicou quatro ex-presidentes peruanos. Ela nega as acusações.

A audiência de "controle da acusação" desta terça-feira é uma etapa preliminar ao julgamento penal e será conduzida pelo juiz Víctor Zuñiga.

Keiko Fujimori não estará presente na audiência, mas sua advogada sim, disse à AFP uma fonte de seu entorno. Os acusados não são obrigados a assistir a esta fase intermediária do processo, a última antes de um julgamento.

Nesta etapa, que pode durar dias ou semanas, o magistrado avalia a acusação fiscal e deve decidir se aceita tudo ou parte da ata acusatória.

O juiz é o mesmo que a mandou para a prisão preventiva em janeiro de 2020, de onde foi libertada três meses depois por causa da pandemia. No entanto, em junho passado, desconsiderou levá-la para a prisão por um novo pedido fiscal.

Desde maio de 2020, Keiko Fujimori está em liberdade condicional, o que a impede de sair de Lima ou viajar ao exterior sem permissão judicial e inclusive reunir-se ou falar com testemunhas do caso.

A promotoria acusa Fujimori, de 46 anos e mãe de duas adolescentes, de lavagem de dinheiro, crime organizado, obstrução da justiça e perjúrio em um processo administrativo.

Com ela foram acusadas outras 39 pessoas, como seu marido, o americano Mark Vito Villanella, e ex-assistentes e integrantes da cúpula do seu partido, o Força Popular.

- Presa duas vezes -

O promotor Pérez tinha pedido no ano passado que o Força Popular fosse proscrito como partido político, alegando que se tratava de uma "organização criminosa". A justiça rejeitou sua solicitação em 28 de dezembro de 2020, o que lhe permitiu disputar as eleições gerais de abril e conquistar 24 assentos no Congresso de um total de 130.

O fujimorismo é agora a segunda força no fragmentado Congresso, atrás do partido governista de esquerda Peru Livre (37). Mas até 2019 sua bancada controlava o Parlamento, após ter conquistado 73 assentos nas eleições de 2016.

Keiko esteve duas vezes em prisão preventiva (16 meses no total), acusada de receber supostos aportes ilegais e lavá-los com a ajuda dos coacusados nas campanhas eleitorais de 2011 e 2016.

Ex-diretores da Odebrecht confessaram a promotores peruanos que distribuíram ilegalmente milhões de dólares entre membros da classe política peruana. Isso inclui a ela e quatro ex-presidentes, entre os quais está Alan García (1985-1990 e 2006 e 2011), que se suicidou quando ia ser preso em abril de 2019.

- Apoio de Vargas Llosa -

Keiko Fujimori perdeu a Presidência - pela terceira vez - no disputado segundo turno de 6 de junho para o professor rural de esquerda Pedro Castillo, que tomou dela baluartes eleitorais tradicionais da empobrecida serra andina.

Seu outrora forte e monolítico partido tinha iniciado seu declínio em 2019, devido a confrontos com o popular presidente Martín Vizcarra e os problemas judiciais de sua chefe.

Conseguir passar para o segundo turno revitalizou Keiko, ao somar o apoio de direitistas proeminentes com passado antifujimorista, como o prêmio Nobel Mario Vargas Llosa, e de milhares de peruanos temerosos da esquerda. No segundo turno, obteve 49,87% dos votos.

No primeiro, em abril, Fujimori foi a segunda colocada, com 13,4% dos votos, atrás de Castillo, entre 18 candidatos. Sua votação ficou abaixo das obtidas no primeiro turno das presidenciais em 2011 (20,65%) e 2016 (39,86%).

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